Era Hoje…

O céu cansa-se de tanta estrela carregar.

É sem dúvida a mais bela calçada visionada por mim até hoje.

Por momentos, a imagem desvanece entre a euforia da escuridão…como é estranha toda a paciência e insistência por parte das estrelas em ficarem, quase todas elas, estáticas, colocando-me à vontade para interpretar o texto celestialmente caligrafado. Quem me dera que o meu músculo cardíaco estivesse envolvido por uma película como esta que visiono…porosa, negra, dorida, consequências experimentais…todos os produtos seriam criação. Porém, até na mais ínfima ponte molecular, a película massacra-me com a sua integridade física. Já não sei distingui-la como sendo defesa ou barreira.

Decido e quero….embrulho o céu e desembrulho-o, ficando amarrotado, já imperfeito. Estendo a tapeçaria celestial e a partir de agora o meu solo será o céu e o meu céu será o antigo solo. Quer dizer, se calhar já o é pois sinto o compacto peso nos ombros e decerto que não é o céu que me pesa, mas sim o Mundo troposférico. Portanto, esta decisão já não passa de uma afirmação e constatação do que se tem vindo a verificar.

Eu não percebo este peso…não, a culpa não é da gravidade, é daqueles que a criaram e definiram.Pois toda a culpa reside na origem, no Alfa de todas as coisas. Portanto, mesmo racional, a culpa é do final do que nos antecedeu e não do princípio da génesis.

A gravidade não é mais do que o Inferno…atrai-nos no sentido oposto ao do Céu…em vez de nos deixar levar pelo Sol, carbonizar-nos iluminadamente, enterra-nos no degredo da Natureza (se considerarmos o ser humano constituinte desta).

Será que vi uma estrela cadente? Não, foi um espasmo ocular…já passou…tal como toda esta inebriante desorganização de ideias…

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