O Desgosto Sem Rosto

Sem RostoQue faço eu sem saber o que tenho? No meu da multidão estou. Esta multidão se mexe para algum objectivo, ela anda com um lugar na mente mas eu no meio dela estou. Sem dela querer sair mas sem a ele pertencer. Esta multidão é um lugar por vezes e por momentos para mim um lugar só, para mim um lugar inadequado. Mas que bela multidão ela é, e eu pareço a romper e despedaçar da cada vez que nela caminho, eu a quebro pelas minha acções de livre e vontade. Como posso eu romper os laços da ligação da perfeita multidão?

Eis que num relance eu olho para o exterior das gentes. Num esquina próxima a mim vejo um vulto. Mas ele rapidamente se esconde, milénios de treino o fizeram ser impossível de ver. Sem ainda saber o que é, procuro nessa esquina com um olhar em agitação o vulto que antes vi. Quem é ele? Apercebo me agora quem ele, não é um total desconhecido para mim. Já antes o vi. Vi-o quando descobri que no peito não tenho coração pois algo de lá o arrancou. Mas mais uma vez o vulto aparece e agora me deixa reconhecer quem ele é. Ele se veste com um enorme e preto sobretudo que encobre o seu delgado e deformado corpo. Eu sei quem ele é…  É o desgosto.

O Desgosto. O monstro sem rosto.

Vive a perseguir me, na tristeza de ser o que sou e ver os defeito do meu querer e ser.

Desgosto que nunca mostra o seu rosto e só eu o reconheço. Pois como ele sempre esteve.

Sempre me acompanha a rir na esquina da minha imaginária alegria. Tão maquiavélico mas tão poderoso.

Belo e asqueroso. Desgosto Sem Rosto.

Lázaro Huginn
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