Gigante Hipocrisia

Alto, Elevado, Nuvénico…

O cume é altivo e escarpado. De pedras pálidas e imperfeitas são as encostas desta elevação preenchidas por cordilheiras de neve onde, olhando para o vale da sociedade conjumina o Monstro. Vendo o grupo aglomerado, manipulável e pequeno racionalizava este monstro a próxima peça de marionetas que iria entreter os Deuses. Feio e asqueroso é este mutante da vida de imperfeitos. Escravos do seu chicote as gentes são maltratadas a seus pés mas dela são dependentes. Drogados no seu iludido poder, poder dissipado e condensado na mente e visão destes escravos, escravos encurralados permanecem desde a eternidade do seu nascimento, acorrentados ao couro do chicote de Hipocrisia.

Hipocrisia, como uma esfera amorfa negra que se alimenta de cada mentira, ela cresce e cresce até ser tão gigante que têm de irromper os seus pupilos para fora do seu humano habitáculo. Os pequenos pupilos propagam-se pelas ruas, correndo para fugir e capturar mais uma pobre vitima da asquerosa hipocrisia. Estas crianças rabugentas saídas do ventre viscoso e sujo da mãe hipocrisia são ferozes, sanguinários e esfomeados por carne de leve e macio espírito.

Hipocrisia, Gigante só eu a via no corpo corrompido dos meus vizinhos, só eu a via nas ruas e paredes, esperando para um furtivo ataque, um ataque só furtivo pois os escravos são cegos, cegos desde que a primeira luz viram, desde o seu nascimento. Cegos não por os seus olhos não reconhecerem mas sim por de olhos fechados se mexerem.

Mas a Gigante Hipocrisia  prepara agora a sua importante apresentação. Desenlaça as cordas dos pequenos pinóquios, meninos de madeira, ocos e podres. Mas a Bela Hipocrisia os mexe, os acorda sem nunca lhes mostrar onde estão ou o que são. Não pensem que estas marionetas nunca viram um espelho… O mundo está preenchido por eles. As marionetas viram-se neles e pensaram ser um portal para a terminação do poder, poder de tudo fazer, tudo o que faz um imóvel, é este o seu poder. Os Super-Imóveis, voláteis à temperatura da Hipocrisia.

Esta peça tem como público os Deuses. Esperando a audição para a entrada no Olimpo representa a Hipocrisia esta magnífica peça de cordões e cordas presas nos membros e mentes de todos os mortais sem personalidade.

Tão bela peça, com o clímax sendo… as cordas a enforcar as marionetas. Aplausos se ouvem…

A Deusa Hipocrisia!

Lázaro Huginn
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