[A|O] Pessoa

Gente e corpos… Habitáculos de Almas… Vagabundos de vísceras… Escritores de letras da Vida. São Pessoas, são seres, permanentes da nossa existência, moradores do Habitáculo de Almas. Ele é pequeno e apertado, por isso só um pode dominar o motor deste Corpo. Quatro espíritos navegam o mar enorme do interior deste Pessoa, esta Pessoa que desconhece o que é ser gente. Pois se vê abandonado de cada vez que a embarcação Alberto Caeiro, ou mesmo a Ricardo Reis, apartem para o mar, viajando por Ocidentes na busca de Especiarias de gente. Ele se sente com uma ilha, a Ilha Persona onde almas excluídas e desajustadas atracam procuram o conforto do quente e simpático Habitáculo. Escreve  expressando, escreve domando demónios, escreve mantendo a sanidade de social de Pessoa, homem, puxada para uma sociedade de inconformidades e comodidade. Entrelaçado na rede social de viver sem saber que alma no Porto pára e atraca. Que alma habita a sua Casa, que alma arruma a sua lixeira, que alma recebe convidados. Os convidados à entrada na estalagem do visível e compreensível. Mas nesta Ilha Persona há lugares que não obedecem a regas normais, há árvores  que crescem na horizontal, plantas que correm e se alimentam de tenra carne. Chuva que não cai mas que se movimenta com vida, o vento que para identificar os leves e transportáveis seres que viajar pretendem. Pessoa não é ser, é viver, é chorar, sentir o mundo com os sentidos do Habitáculo. Ver e ser visto, pelos outros e por nós próprios, olhando o nosso reflexo com um novo conhecer, não como uma reflexão do nosso querer que sejamos. Pessoa é ver com olhos de Deus e Demónio, é abrir o nosso próprio abdómen para por dentro nos podermos ver.

Lázaro Huginn [Homenagem a F. A. Nogueira  Pessoa]

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