Letrista de Acordes

Letras…

Letras escritas, mexem-se na língua na confusão do falar remexem as cordas vocais como um guitarrista, saltam e correm para se espelharem pelo ar, correm para chegar aos tímpanos humanos. Letras somente escritas no papel, rimas só presentes no som do eco da minha cabeça. Poesia somente para quem a cria. Minhas mãos buscam o lápis para escrever tal como um pedinte estica a mão para do alegre turista mendigar uma moeda ou uma migalha de alimento. Alimento da alma deste Letrista, perdido sem saber que acordes de língua era capaz de compor. A’s, Z’s começo e fim da escrita, no já esquecido dia em que todo escrever começou, quem agora sou já não é o que antes perguntou “Nada sei fazer que vou escolher ser?”. Sou o que sempre fui mas um soldado de guerras revolucionárias que somente agora pegou nas armas cortantes. As palavras aguçadas da crítica e ironia contra as gordas hipocrisias e as mancas mentiras. Escritor não penso ser, sou alguém que algo faz, uma obra de que sou capaz sem querer ser novo Pessoa ou Velho Camões.

Sou Letrista de Acordes. Sou Letristas das Letras. Sou o lápis que anseia ver a folha branca.

Musa Folha Branca, em ti me fundo com o nada e o tudo do meu ser. Branco…

 

Manuel Vela.
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