Amanur!

Amanur .I

Francisca Amanur. A rapariga do cabelo Negro… Era assim conhecida esta esculpida e bela Mulher.

Todos que a conheciam reparavam no negro cabelo que parecia conter nela a escuridão, que se parecia mexer afastando-se da luz. Era como se a cor do seu cabelo podesse viver, tinha autonomia. Era como que, um organismo que vivia no suave e delicado fio de cada cabelo seu. Abraçando a este de tal forma que dele parecia fazer parte. Esta era a sensação que todos sentiam ao ver o seu cabelo.

Os seus olhos contavam uma diferente história. Eram frios e como que um pouco moribundos. Algo haviam eles  presenciado que os mudara. Os mais perspicazes podiam ler no seu olhar que ela chorava sem lágrimas. Mas ninguém é capaz de descobrir o porque destas lágrimas não derramadas…

Mas isso não mudara, apenas se adicionou ao seu ver como que uma parte de si. Era triste mas para ela era nada mais  que um momento vivido. Ela tinha visto a morte do Dr. mas isso era nada mais que um parte da vida, neste caso uma parte da morte. Não pensem que ela nada sentiu, sim tristeza pelo seu coração passou…

Tempos depois desse trágico acidente a sua vida continuava, na universidade ela era estudante. Todas as terças ela estava presente na aula de Biologia. Ao seu lado desde o dia da morte que se sentava um rapaz, sim podem imagina-lo como um belo e robusto Homem. Sempre que ele se sentava ao seu lado a olhava sem qualquer palavra de cumprimento dizer. Isto a incomodava, e nas últimas duas semanas a sombria Xica tentava compreender a linguagem corporal do jovem ao seu lado. Ela percebia que algo de errado ali havia. No dia 7 de Outubro o rapaz não apareceu na aula, Francisca saíra dessa mesma aula questionando-se o porque dessa ausência. Enquanto pensava, com a cabeça olhando sempre o chão e os seus pés como sempre fazia, caminhava pela calçada. Em redor deste caminho cresciam carvalhos velhos, tão ou mais envelhecidos que o conhecimento da instituição onde se enraizavam. Pensativa continuava a sua caminhada por entre as árvores. De repente embateu num corpo rijo e levantando a cabeça pode ver que era o rapaz e só agora Amanur se lembrara do seu nome, Benjamin Cucou. Ele tinha obtido a nota mais alta na ultima avaliação de Biologia mas o Professor Afonso Nantes mal uma palavra pronunciara sobre o assunto, bem na realidade tinha apenas dito o seu nome e Francisca percebera um movimento de tentativa de expressar um sorriso na cara de Benjamim.

Lazáro Huginn. "Orbita Amanur".
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