Encontra(ão)!

Encontra(ão) .II

Algo era diferente na cara de Benjamin após este inesperado embate. O rapaz do nada-dizer era algo novo, talvez algo sombrio, pelo menos esta era a percepção de Francisca. As únicas palavras descritas pela boca do Rapazinho foram “Desculpa-me”. Rapidamente ele se baixou para o chão  para apanhar os papeis e livros que agora se espalharam pelo chão depois deste choque imprevisto. Amanur queria neste instante dizer algo mas nada saia da sua boca, pois ela podia ver o sombrio no rapaz. Agora ela percebia a razão para nunca Benjamin ter dito algo. O escuro os bloqueava, os impedia de algo dizer, ambos sabiam que o algo dizer nada mudaria o que tinham até agora vivido. Benjamin apanhou a última folha do chão e levantou-se olhando a face de Francisca e esticou o braço para lha entregar. Ela olhou a folha eram os apontamentos da última aula, a aula a que Benjamin tinha faltado olhando-o nos olhos lhe disse “Fica com ela, é a aula de Biologia, próxima terça devolves-ma.” Benjamin abanou com a cabeça concordando.

E assim se despediram dirigindo-se cada um deles para o seu destino, destinos de opostos sentidos. Mas Francisca não deixara de caminhar pensando, mais uma vez num apostura cabisbaixa, pensava no que teria mudado em Benjamin para, agora se ver nos seus olhos a tristeza que todos conseguiam ver nela. “O que terá acontecido?” Perguntava-se, comparando a sua vida às possibilidades para a vida dele, sobre o que lhe teria acontecido para agora ser visível no rapaz algo moribundo, como tantas vezes diziam ser visível nos seus olhos. “Seriam problemas de família?” Mas da família Cucou Francisca nada sabia. Nada podia esperar descobrir se nada dele sabia.

“E esta vontade de ajudar porque a tenho?” Sussurrava-lhe uma fina e calma voz do fundo do seu pensamento. Seria a consciência? Isso de nada importava, pois o querer ajudar, ou digamos reparar as feriadas de Benjamin, era o que a controlava neste momento. Era isto que lhe dava curiosidade sobre ele, era o alimento do sentir. “Tanto tempo que nada sinto, nem as feriadas e cortes que de casa todas as semanas trago me davam tão forte sentir”…

“Encontrei neste momento de encontrão algo perdido”

Lázaro Huginn. "Orbita Amanur"
Advertisements

About this entry