7 Balbúrdias

Só ruído, só movimentos complicados. Tanta coisa a mexer em meu redor. Multidões de factos, de pensamentos na minha cabeça, na  cabeça de todos os outros… nada é claro hoje, tudo está envolvido na escuridão, na entropia, na desordem do mundo. Desordenado sem coerência me parece eu próprio mexer, não entendo o que sinto pois pela primeira vez senti. Não me entendo mas conheço-me muito mais do que à cinco segundos atrás. O tempo não me interessa, pareço parado vendo o movimento de todos, de todas as partículas. Não sei porque acho que não me mexo quando todos me dizem só agora ter voltado de uma longa viagem. Mas eu nunca parti… Aqui sempre estive, sempre sentado vendo-os todos mexer e remexer sem coerência e sem intenção, sem qualquer razão. Sem alguém me ver.

Aqui não pertenço mas  à confusão nunca me inseri. Ah, que enorme confusão, mas dela eu consigo fazer sentido só não sei que rumo ela tem. Será pela esquerda como sempre… será pelo caminho perdido que nunca antes alguém pisou? Pois foi este rumo que eu sempre tomei até hoje. Pela escuridão, pelo céu escuro onde brilham as estrelas. Estrelas que mortas continuam a brilhar. Quietas já no seu ser, mexe-se a sua luz  mas elas já nada são.

Que confusão, que balbúrdia que me rodeia quero novamente paz para os meus pensamentos. Consigo ver o que se sucede de seguida e já em mim embateu a consequência do que fiz no último minuto mas ainda ninguém viveu esse facto, sou alvo dos acontecimentos futuros sem o universo de balbúrdia me ter já sofrido o efeito da minha primeira acção, da minha primeira Força física. Que desfasamento se formou no meu ser. Consigo interagir com o passado como vividos sonhos e memórias. Tenho apenas de escolher o certo lugar, revivo o que me construiu sempre nesse espaço. Caminho todos os dia para o futuro vendo que de lugar vou mudar mas sem perceber o caminho que tomei pouca coisa faz sentido, nem o lugar onde agora estou me faz sentido, é como se fosse casa para mim mas é estranho como se do incógnito se tratasse. Onde estou? Porque todos se mexem?

Estranho sou e diferente perdurarei… e tal como a luz, a película que me separa da balbúrdia continuará mesmo depois de eu dela sair, mesmo depois de eu pertencer ao mundo, pois isso nunca poderá ser ou acontecer como a todos os outros. Serei o pertencente ocasional e pertencente que não se encaixa. A Caixa de 7 Chaves que na qual nunca se podem inserir no mesmo instante as 7 chaves para todas as fechaduras abrir. Sou uma caixa de alternância. Aberta por quem já encontrou uma chave, sendo estas chaves não de ferro mas de sentir. De sentimentos e mesmo apesar de todas as fechaduras parecerem iguais, várias chaves podem abrir a mesma fechadura. Só não abram ou quebrem o selo de todas elas ao mesmo tempo. Pois a Pandora foi desde já aberta não voltem a crucificar a Humanidade e o MEU ser, com todo os Monstros que há nesta velha caixa que há já eternidades que perdura. A escuridão está nela fechada. NÃO a deixem sair toda de uma vez…

Aníbal Treva Negrão
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