Tropeçar

Caminhava para a escola um pequeno rapaz, com uma enorme mochila que parecia ser maior que o seu tronco. Alegre via toda a agitação do dia a nascer. Caminhava pensando no seu dia de escola, tinha uma enorme vontade de aprender, tinha a mente do pensar e do racionar, e pretendia na escola se divertir resolvendo problemas, preencher o puzzle que lhe colocavam na forma de um exercício. Ele compreendia o seu ambiente sabia que todos os animais se relacionavam, tanto por predação como por simbiose. A terra rodava em torno do Sol num período de 365 dias e 6 horas, todos os objectos, tudo seguia as regras de física, as forças eram expressas em todo a matéria… Tudo isto ele  sabia, mas pretendia do conhecimento obter algo…

Pretendia aprender, pretendia saber, continuava caminhando, o seu estômago está cheio e satisfeito com um saudável deliciosa refeição preparada pela sua mãe, que sempre o  acordavam como o cheiro de frescas torradas por voltas das 8. Mas o rapazinho continuava a caminhar para o saber, para a escola. Sem se aperceber pisara uma poça de lama, um charco escuro que sem motivo aparente lhe parecia profundo, e sombrio. Sentiu a sua perna cair e já não sentia o chão, não conseguia retirar o pé daquele buraco. Rapidamente a lama o envolveu, estava suspenso agora numa massa escura e viscosa, mas com um toque macio. Parecia sufocar nesta nova atmosfera.

A lama se mexia à sua frente criando figuras e formas, formas que nada pareciam mas o rapaz nelas reconhecia todos os momento em que tropeçara, em que erros cometera, todos os momentos em que tinha posto a pata na poça. Via todos o erros que cometera passarem à sua frente, todas consequências das suas acção via o que algumas boas coisas tinha causado no seu espaço, na sua Terra. Mas isso não importava, ele via ter causado tanta desgraça tanta tristeza, ter destruído tantas obras, tantos quadros belos… Ele sentia que o seu redor não queria saber do recolher Saber, não importava quem pensava, quem usava a massa cinzenta. Esta lama onde estava agora era fruto de todos os dejectos e repressões do mal ensinar… do não respeitar… Era a lama de todo o avaliar, o mal avaliar, o quantificar o saber em duas horas de um marcado dia. “Neste dia tens que saber o que eu pretendo, tens que ser cego e saber responder ao que pergunto”. “Eu quero responder”, disse em raiva o rapaz para a voz que antes ecoara pela densa lama. A profundidade era já elevada, tão fundo que o rapaz já não sabia onde estava, apenas conhecia um universo de lama. Tudo era lama, tudo que fizera, faria em lama se transformaria… A Lama era agora a sua atmosfera… E tudo que fizera fora pisar a poça…

Uma mão vi estender-se no topo do poço onde estava…

Nada o impelia  a mexer-se e a alcança-la… Para ele na lama sempre estivera e esquecera para sempre o que era respirar oxigénio, o poderoso Oxigénio…

Este rapaz se chamava Egas, se é que se importam com ele, se e que por ele algo sentem.

“O fundo do Egas”

Advertisements

About this entry