Sangue!

“Não pensem em vampiros, isto nada tem a ver com isso… Isto é um texto do sangue derramado pelas feridas e hemorragias que cada Homem tem e tenta curar.”

Todos nós o derramamos por pena, por dor ou por simples sofrimento e incompreensão. A hemorragia que nos faz perder por vezes as forças, nos faz desmaiar e cair, no instante, no frio e duro chão que longe já se encontrava dos nosso pés. Este sangue que mesmo assim continua a correr nas nossas veias, que dá cor às emoções e escurece de cada vez que caímos nos buracos da calçada da vida; que se dilui da cada vez que caímos ou mergulhamos no oceano de incertezas da vida. Este sangue que, se o corpo for forte e resistente, continua sendo bombeado e regenerado com ainda mais força se re-forma.

Sangue que escorre pelos dedos de alguém que se cortou com a afiada lâmina da consequência. As consequências de manusear um perigoso utensílio sem conhecer os seus perigos e utilidades. As feridas todas carregadas num saco escuro e protegido da luz para não queimar as sensíveis  e desprotegidas cicatrizes ainda abertas pela fugaz lâmina que por vezes um simples e limpo corte faz, mas que em outros momentos desfaz a carne como um triturador, moendo e despedaçando a pele e a carne, causando danos reparáveis mas invertíveis. Sim, há coisas que nem o tempo cura porque se isso fosse verdade o tempo daria aulas aos caloiros de medicina, ensinando-lhes que todo o que se deve fazer e aguardar que o corpo se responda à lesão. Mas o Doutor tempo não existe e a única ou certas chagas nunca podem ser reparadas, podem simplesmente cicatrizar deixando a irregular marca na superfície.

Não dêem trabalho ao tempo que ele já trabalha incessantemente para todos. Estas feridas não são para o doutor curar, são para marcas e sangue derramar, pois corpo que nasce e morre intacto, não afectado pela sua própria acção, não sentiu. De certo não circulava sangue nas suas veias.

O sangue de cada ferida causa dor, a vida está cheia de doce e amargo. Apenas doce tornaria a vida diabética. Deixa sangrar para teres certeza que no teu corpo corre ainda a essência da vida, corre ainda nela o fervor da vida, corre nele o fluxo de vida. Emoção. Que a hemorragia seja pequena mas persistente, pois assim tenho certezas de que ainda neste corpo vivo. Que a minha vida não é um sonho doce, mas uma caminhada que vale a pena viver pelo amargo e doce que cada momento estimula no fluxo.

“Doce e Amargo é o sangue que se derrama” – Manuel Vela

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