A Grande Fábrica de Rótulos

O Ruído da maquinaria ouvia-se em toda a fábrica. A máquina já era velha, ferrugenta e grande. Precedia a Primeira Grande Guerra. Muito tinha esta máquina construído e montado para os militares e comandantes da sangrenta guerra, que se iniciou com a morte de Franz Ferdinand. Alguns operários diziam, com que em tom de piada, que a grande máquina tinha montado e produzido a espingarda que matara o Arquiduque, de tão antiga que esta máquina já era.

A máquina chamada tinha na sua superfície as marcas do seu desaparecido construtor, o Homem que nem ninguém  conhecia ou sabia quem era. Mas de certo já não seria vivo pois a máquina parecia persistir ao tempo. Fazia já 200 anos desde o primeiro conhecido registo da Máquina, de certo o seu criador não estava cá para ver a sua obra perdurar. Esta não era uma obra magnífica e que tudo fazia. Não era adorada por todos, não era odiada por todos. Muitos até não sabiam da sua existência. Era a máquina que decidia, a que marcava cada peça. A Máquina era o coração da fábrica de Rótulos. Sem ela esta indústria terminaria. Sem ela o preconceito teria fim, sem ela a definição deixaria de ter feição. Este instrumento e mecânica era tão importante que muita gente ainda pensa que cada um pode ser o que quiser. Cada um é o que os outros observam e falam.

Dizia um veterano de II Grande Guerra que nesta Fábrica tinha trabalhado que “Um Homem é a colheita das tempestades que cada outro marinheiro no mar semeia.” Esta pode até ser chamada de Máquina do Tempo, mas na realidade qualquer nome que se dê nunca lhe será digno. Esta é a “Máquina Carimbo” que marca cada madeira, cada metal, cada corpo, cada animal, cada electrão, cada planeta… é a ferramenta de decisão. É a forma de toda a deformada massa. A mão que molda cada objecto.

Esta máquina carimba e rotula. Cria o mal na visão de uns, define o bom para outros.

Máquina do demónio que faz o preconceito, que forma os utensílios de tortura, que cria os defeitos. Mas eu pergunto porque é a perfeição tão boa? Se esta é nada mais do que a imperfeição da com ter progressão, é a incapacidade de nunca progredir, de não ter objectivos, de não caminhar quando o chão se mexe para. A incapacidade de entrar no comboio que leva a vida para o seu lugar. A perfeição é um charco de água estagnada que fede a inutilidade. Ferindo os olhos com o seu aspecto gorduroso que a faz imperfeita para a visão. Que a torna numa massa de deformação. A máquina rotulou nada com o carimbo da perfeição pois até mesmo a Máquina Carimbo tem de ser imperfeita para produzir a carabina que matara o Arquiduque. A Atómica Bomba. O Tumor Ser Humano. O Instinto de sobrevivência…

Lázaro Huginn.
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