Queda

I

Quando o muro de Berlim caiu, eu estava a nascer. Foi das quedas com mais produtividade até hoje vista.

A queda. Queda é algo ferir-se e desmoronar-se, nunca é muito belo ver algo cair, ou mesmo alguém cair. Muitos podem rir-se quando isso acontece, encontrando prazer no desgosto de outrem. Mas uma queda tem sempre um seguimento contínuo, um instante de recuperação e cura. Muitas são lentas e causam aflição no observador. São tão custosas as quedas, que impelem outro para auxiliar na ajuda… o outro que, por vezes, nada consegue ajudar, só complica a recuperação. Ou o caído que puxa o seu ajudante para a mesma lama onde o anterior já tinha estado…

Quedas, como se voltar a colocar de pé novamente. Cada queda é um novo problema. Podendo causar sérios  obstáculos ao caído. Feridas e fracturas que, no mais grave, o impedem de se levantar e uma maca é chamada para retirar o peso do corpo deitado do chão e para que o homem volte ao seu local de bípede, demorado mas lá retornará.

Quedas que apenas ferem o orgulho; se não fosse assim tão orgulhoso o Orgulho não se magoava. Quedas que nada fazem mas ferem só a vergonha e ela reclama deixando a pessoa sem reacção…

O cair repentino e perigoso. Instantâneo e perigoso. Ser atirado para uma posição apenas para descanso. Uma posição que cada um gosta de tomar sabendo que de manhã ou após descanso se vai elevar, erguer. Queda é complexa e tudo o que se segue implica condicionantes. Mas pode um homem regressar ao que era antes da queda quando se arrasta para se levantar? Cair e levantar para o que aí se vai avizinhar.

Manuel Vela
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