Lupus Hunt

Lupus Hunt! [II]

O animal ficava horas nas noites mais límpidas observando a aldeia no vale. Aquela aldeia tinha crescido e desenvolvido-se com o passar dos seus anos. A escola primária que ele tinha um dia visitado estava mais desenvolvida, mas tinha mantido o velho espírito, aquela sabor e cheiro do velho tempo. O velho poste da bandeira ainda sem nada nela, vazio mas como se já outrora estivesse preenchido. Ah os anos tinham sido bons para a escola e construtores para o lobo. O tempo tinha montado algo. O lobo sentia agora uma pausa no tempo, talvez se chamasse alegria, mas para ele o tempo tinha parado.

Nada se movia e nada importava apenas o que ele via. E sentado na encosta o lobo descansava agora após anos de cuidado e precaução. O silencio se abatera sobre o escuro da noite. Um silencio frio e duvidoso… Isto acordou algo no lobo, era estranho a floresta nunca antes tinha estado assim. De entre os arbustos ouvia-se passos humanos. Passos cautelosos passos de alguém que pretendia não ser identificado. O lobo levantou-se e ficou olhando, virando a cabeça para que as suas orelhas estivessem direccionadas para o som. Focando-se no som o animal viu por entre a vegetação um homem, a já muito tempo que não via um, até hoje os problemas dos homens tinham o deixado no seu recatado canto. Mas hoje neste dia, como mais um dos outros já passados, um homem caminhava pela terra com um arma na mão. Procurava uma presa para matar. Algo para consumir, mesmo com uma aldeia prospera e bonita o caçador procura mais, algo mais…

O lobo correu sem qualquer ruído para o se esconder numa gruta. Na gruta havia uma fonte de agua brilhante parecia que no seu interior fluía a vida, era nesta gruta que o lobo tinha sobrevivido estes anos de exílio. Desde que ele tinha entrado na caverna todo o mecanismo e partículas de gruta tinham acordado e agora quando entrou na gruta percebera que quando cá chegara a aldeia mal tinha sustento e que o nascer da fonte e fortalecimento tinha coincidido com a sua perdida deambulação…

Ele não podia deixar o caçador eliminar aquela riqueza.. Saiu correndo pela gruta na busca do homem.

Dez metros abaixo da gruta o caçador caminhava na sua ainda caçada. O lobo escondeu-se acima de um pequeno monte, protegido por uns arbusto. Aguardou um pouco para que o caçador baixasse a sua guarda e saltou para o peito do homem. Reagindo por reflexo o caçador atingiu o lobo, que continuava mexendo-se na direcção do homem. Os seus dentes ferram o ombro do carnal homem e ele caiu no chão. O lobo ferido e mancando cambaleou para a sua gruta. Lentamente aproximando-se da fonte baixou o seu focinho e bebeu um pouco da águas, mas já enfraquecido pela ferimento da bala caiu para a água derramando-se o seu sangue pela água…

 Aníbal Treva Negrão
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