inacabado

Tanto ferro, tanto metal arrasta a terra revolvendo o seu interior para o oxidante ar. Cada máquina vazia de alma e sentir amassa o solo e desfá-lo, derrubando paredes e latas de uvas, muros de musgos e terra para acimentar. Máquinas a desfazer a terra, a mudar e alterar a sua compostura a sua forma de efeitos e causas que por ela andei a malear com tanto esforço, a construir momentos. Vem de longe as máquinas para destruir o meu verde lar, derrubar e desfazer o espaço onde nasci e cresci.

Vão abrir passagem para o escaldante e viscoso alcatrão, espesso que nada deixa escapar, entranhando-se e agarrando-se para sempre ao nosso ser inútil, corroí a pele. O movimento dos carros e mais máquinas virá deturpar a calma e luz de toda a verdura. A árvore vão derrubar para a estrada de rapidez montar.

O ciclo da natureza e vida, o brilho e frescura de todo em meu redor ser natural, indomável e único, o nevoeiro, a brisa do rio e o balançar das árvores, dos velhos carvalhos será deste dia em diante infectado com os gases e tóxicos movimentos das viaturas na estrada… Tudo será diferente, perdendo-se para sempre a animalea, a vida acentada neste recanto tão pacato que deveria ser visto e avista por já várias figuras mas será desde hoje em diante derrubado para fazer ferro, para fazer mais lixo e metal frio e imóbil, descartado de qualquer convicção e emoção…

A Árvore da vida, as folhas do sorrir e as sementes da alegria desfeitas para trazer mais depressão e confusão desses lugares de ferro e frieza chamados de cidades, onde os seres se mexem e se alimentam perdidos, cegos por tantos arranha-céus e desventrados pelo materialismo e comodismo de nada terem de fazer. Com um simples estalar de dedos terem os seus desejos garantidos e seus sonhos já pré-construídos. Nesse lugar onde toda a alma se desfaz para perder a essência e pura substância da vida, homens de materiais sem substância, do possuir desenfreadamente e ter tudo o que precisam em suas meninas do olho, mas cegos pelo ferro, com soldadora nas suas retinas nada o vêem e perdem-se pelos caminhos de terra e pedras, calcetados, julgando que por terrenos de alcatrão tudo lhes surgira na próxima estação…

Alcatrão escuro e viscoso, não te cederei… Esta via rápida  que se monta em minha frente não me cegará, pois a menina dos meus olhos vive com força e intensidade pela natureza e não pela cidade. A alma do natural persistirá no meu corpo nem que os corvos tenham de para estas árvores cá voltar, para ver uma última vez a minha alma partir para o outro lado amordaçada na pedra e ferro, mas viva!!

Aprisionada num sonho de pedra já ela está mas cada planta lhe passa a esfera da luz.

inacabado…

Lázaro.

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