O Tempo

Hasteio o Tempo, retiro-lhe a tampa e escrevo Nostalgia…
Eras, Séculos…Horas, Minutos, Segundos e tudo mais…Questiono-me: para quê? Orientação? Consciência Espacial (aludindo à relação Espaço-Tempo)?
O Tempo é útil para me aprisionar a uma data, a um período; impossibilita a libertação de cada “eu”; impõe-me uma liberdade condicionadíssima.
Nos meus princípios, enquanto existente (refiro-me à infância), não existia a noção de tempo…olhava para um relógio e via um brinquedo interessantíssimo, eu próprio conseguia “manejar” o Tempo…
E agora? Será que quanto mais Tempo consumo mais impotente me torno? Agora sou um simples ponteiro, vítima do Deus Cronos, para já penitenciado apenas a cada “hora” passada, mas estou consciente que, no futuro, serei penitenciado a cada “minuto” e talvez consiga aguentar o martírio a cada “segundo”.
Este “imutável psicológico” apenas existe para esculpir a minha resina cerebral, dar-lhe uma sequência, ordená-la, ou seja, moldá-la em função dos seus defeitos lógicos.
Quando o Tempo desempenha o papel de “presa”, eu, o “caçador”, nunca consigo caçar a “presa”; quando o Tempo desempenha o papel de “caçador”, eu, a “presa”, sou sempre caçado por ele.
Conclusão: O Tempo é algo por mim criado e pelo qual agora sou dominado.
(…dez horas após a administração de uma nanodose de veneno elapídico…)
Ah, como é saudável o estagnar Tempo(ral)…asfixio-me aos poucos, mas tenho (o) Tempo…

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