Cama de Cetim

“Deitei-me um dia na cama, era já meio da tarde num dia de verão quente. Não me deitei para dormir, pois tinha dormido o suficiente na noite anterior para estar completamente descansado do físico. Não foram muitas horas de sono, e já estava acordado há algumas horas mas mesmo assim me deite na cama. Nada consegui fazer, nada havia para fazer para além de esperar que o mundo volte para que eu posso viver, se assim mo permitirem, quando mês de Agosto terminar, pois este mês pode parecer para muitos de descanso e férias…

Deitei-me na cama como que cansado do nada em meu redor, cheio de tédio. Fechei os olhos e ouvia música. Mesmo de olhos fechados parecia conseguir ver. Não o real mas algo que assim o aparentava, ou que os meus sentidos faziam assim eu sentir. Vi coisas que não poderiam existir neste mundo, neste tempo, pessoas que não existem, pessoas que já tinha visto e que agora sentia falta, pois há já muito que não as vejo e as deixei sem saber o que será de mim nos próximos dias. Sem saber se essas mesmas pessoas vão estar comigo como antes estavam…

Deitei-me, a cair me senti, a cair em algo que já antes tinha caído, cai na total solidão, não física mas mental, mesmo assim as alucinações iam continuando, persistindo na minha cabeça algo que parecia um outro mundo. Um mundo que me surge na visão dos olhos fechados. Não faço a mínima ideia quanto tempo estive deitado. Não sei quanto tempo passei com os olhos fechados, pois julgo que a um certo instante a minha consciência se afastou tanto da realidade que continuava parada à minha volta que o meu cérebro ultrapassou para outra dimensão e deixou esta onde agora escrevo. Não sei onde estive, o que fiz mas quando regressei sentia que este universo era novo para mim. As minhas memórias lentamente se tinham apagado. Tempo levei para abrir os olhos para a luz do quarto. Não sabia onde estava nem quem era… tudo era diferente de quando o deixei, não era o mesmo… Eu tinha caído com o Egas e, por alguma razão, consegui regressar. Aqui estou e não sei porquê, não sei porque deixei o outro lado e porque ainda neste estou…

Estou sozinho e sozinho não consigo distinguir o meu real do mundo em minha volta. Este tempo passa diferente para mim que para qualquer outra pessoa…

Num lago sem fundo me afoguei, mas ar conseguia respirar…

A minha realidade acaba assim que as pessoas partirem e a minha presença eles apagarem da sua vida. Sou alguém se alguém me reconhecer! Sou alguém se com alguém consiga partilhar memórias…”

Isto foi algo que ouvi por entre a bruma e frio deste inverno.

A Caixa talvez se tenha aberto...
Aníbal Treva Negrão...
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