A Carta Nunca Escrita

“Olá. Escrevo para dizer algo que vos devo dizer a todos.

Para começar queria pedir que me perdoassem, pelo que vou fazer e, acima de tudo, não se culpem por seja o que for, nem pensem numa coisa dessas. Essa culpa é demasiado pesada para a carregarem. O que acontece é que nunca vou conseguir apagar os anos a ser ignorado, a ser simplesmente inútil para toda a gente que me rodeava, como se fosse invisível e a cada dia isto pesa mais. E o simples facto de que, com o passar dos tempos, toda a gente que me conhece acaba por me abandonar. A única coisa que posso fazer é não dar trabalho a mais ninguém. Simplesmente já chega de levar estes problemas para as outras pessoas, eles acabam por apenas vos fazer mal.

O que quero dizer é que chega disto, não aguento mais… portanto, o que vou fazer para poder ainda proteger um pouco de mim é fechar-me completamente, simplesmente desligar o que é sentir. Já o fiz uma vez e vou fazê-lo novamente. Não sei se vou voltar a ser quem conheceram mas isto só me desfaz por dentro. Cada vez mais me custa. Esta é a única solução que vejo para me conseguir manter neste mundo. Se quiserem estar comigo perguntem, vos darei a resposta sincera. Caso não pretendam estar comigo então façam de conta que querem ou que somos amigos. Sejam apenas sinceros.

Façam as vossas vidas sem mim, sem se prejudicarem por mim, já chega de empurrar gente para este abismo.

Adeus, até um dia…

Sejam Felizes!”

Manuel viu a carta algures por entre papeis para o lixo

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