Armadura Soldado

Quinhão III – Farinha de Trigo

Olívia alimentava o pardal e, na sua mente, andava a dúvida, calma mas intrigante dúvida. “… que Armadura deve usar o Ebo?” Sem se aperceber e já sem seu pai a observar da casa, ela falou sozinha dizendo: O soldado Ebo é mesmo forte! A cabeça dele é confusa mas ele consegue sempre sobreviver e cumprir o que tem a fazer! Bem eu também tenho afazeres sendo hoje feriado… Vou deixá-los de lado hoje.

O soldado parecia agora para a menina quase como um cavaleiro andante, um homem forte numa estranha armadura que parecia evitar a morte do mesmo. Isto deixava a rapariguinha pensativa, muito mais do que qualquer problema de matemática, problemas que eram de fácil resolução para ela. Nenhum exercício de estudo era grande esgotamento de tempo para Olívia, a sua inteligência era elevada, não é que ela fosse a melhor aluna da sua escola. Mas deveras a sua inteligência era muito grandiosa. A senhorinha parecia não se aperceber na totalidade disto, e por vezes a menina duvidava de si mesma.

Mas agora, sentada no degrau, a menina pensava como poderia o Ebo Bravo subsistir no mundo de batalhas físicas e mentais, e um pouco de medo se abatia sobre ela quando se apercebia que a cabeça do soldado era preenchida por demónios, por chagas e pesos que atrasavam o homem, contudo, ele parecia resistir. Era a sua armadura decerto que o protegia. De que seria esta armadura feita?, como era  o Sr. Ebo capaz de persistir perante a morte e o sangue em suas mãos, na completa solidão e abandono de todos os que lhe eram valorosos.

Como vou eu regressar para a presença dos corpos que me acompanharam e tocaram antes de eu ter partido para este inferno de carne a arder e chamas de destruição, não posso permitir que este buraco negro me sugue novamente, por pouco estive para deixá-lo sugar a mais importante pessoa na minha vida. Tive de manter o silêncio para não a conduzir a este fundo, isso custou-me muito… Custou-me o seu afecto… Mas nesta guerra agora pretendo manter a lutar, este é o tempo de confronto e luta. Brevemente, espero, chegará o tempo de sarar os cortes que foram já feitos sobre mim e todos os próximos. É tempo, agora de amassar a farinha de trigo para não passar fome, é hora de combater, tempo para confrontar este buraco negro e resistir, para alcançar o momento em que será hora para sarar as feridas e curar o mal que este buraco já fez. Silêncio foi a protecção que usei para os outros, o mesmo silêncio que me custou a separação para esta viagem de recuperação, o silêncio que me custou o Ser e a sereia…

Abrindo novamente o livro que escondia na sua saia, a menina voltou a ler mais uma passagem de onde submergiram estas palavras. Assim que a palavra seria apareceu perante os seus olhos, Olívia decidiu fechar o livro, ela começara a sentir-se mal lendo as palavras. Fechou as páginas do livro e decidiu escondê-lo por entre a casca velha do tronco de um grande carvalho mesmo em sua frente, no jardim. Levantou-se, correu 5 metros até à árvore e, de imediato, tentou esconder o livro para que ninguém o encontrasse. Voltou para a sua escada onde se sentou por mais alguns segundos olhando o carvalho. Assim ficou por alguns segundos, mas resistia a dúvida de qual seria a armadura do militar que lhe permitiu resistir por tanto tempo. Certo que o soldado tinha ficado com marcas e cicatrizes na sua pele, cortes que provavam a sua capacidade de resistir e não sucumbir ao negro e absorvente buraco. Mas ele pretende sair novamente disto. Pensava Olívia… O medo era bastante e a menina decidiu afastar-se do livro…

Ebo Bravo Soldado: Quinhão III – (Quinhão IV – Árvore de Alegria)

Ernesto Fulco Guerrero
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