AeroNave

Havia uma vez um miúdo no topo de uma colina que gostava de construir aviões de papel, todo o tipo de papel ele usava. Velho e já sujo papel. Reciclado e restos de embrulhos, tudo servia de material para a construção, portanto as suas amarrotadas máquinas tinham todo e qualquer tipo de tamanho, até mesmo em qualquer cor. Com tanta proveniência do papel para eles, o miúdo fazia sempre e de toda a vez uma nave diferente.

Ele atirava os papéis pela sua janela. Esta era longa em altura, era maior que ele. Mesmo estreita, apenas havia espaço para ele mesmo e um pequeno lugar para pousar os restos de papéis. A janela era uma daquelas em que existe um certo espaço especial para alguém estar por lá, como se há algum tempo atrás aquando da montagem da casa ainda era suposto as pessoas passarem tempo a olhar pela janela, a esperar alguém chegar a casa. A janela era como se fizesse parte da parece e quando apoiado sobre o parapeito havia apenas pedra de ambos os lados e um pequeno degrau para permitir mais alcance, caso o observador da paisagem fosse uma criança. O miúdo parava por vezes na secretária mesmo a 3o cm da janela a dobrar folhas. Tantas naves ele fez que começou a inventar novas dobras. Bem, toda a gente que tenta fazer aviões de papel tenta que eles rasguem os céus pelo máximo tempo possível, mas são raras as vezes que isso acontece, é um pouco como atirar seixos para saltitarem sobre a superfície do rio. Não são muitos os saltos, mas são belos.

De costas para a janela e de pé inclinado sobre a mesa, o miúdo (bem acho que já é tempo de dizer o nome dele), Tomé, de tantos aviões lançar e por morar numa casa rústica no topo da colina Pergamina, as naves aéreas do rapaz podiam planar por entre ventos quentes e frios chegando a pousar por entre as calçadas da aldeia no sopé do monte. Da primeira vez, Tomé conseguiu que algo papel de avião alcançasse a terrinha do sopé, o seu coração explodiu e o rapaz voltou a fazer um novo avião, desta vez numa cor azul, o primeiro era um verde não maior que a sua mão. Este novo azul avião foi então projectado pela mão esquerda do rapaz e conduzido novamente pelos ventos da montanha até à pedra da cidade Pendro. Desta vez a nave tomou uma outra direcção e foi pousar nas imediações da mercearia Amanda.

Foram precisos mais uns 5 aviões para Tomé se aperceber que estava a lançar aviões para as pessoas que moravam na cidade abaixo, podia escrever algo nos papéis para as pessoas lerem, afinal de contas eram aero-papéis as naves. Bem, não era todos os dias que o miúdo de quase 8 anos lançava as suas letras pelos céus da colina. Isto acontecia quando a sua bela mãe de olhos de âmbar e cabelos de noz ia até à cidade ou saía de casa para tratar as rosa e margaridas do enorme jardim que havia por trás da casa. O rapaz pensava então em algo para fazer e, no início, tudo começou com uma folha velha que encontrava sobre a mesa e pensou vou fazer algo com o papel, ah minha mãe me ensinou a fazer aviões.

“Mas que mensagens escrever?” pensava Tomé. Ele não queria que fosse algo que levasse as pessoas a deitar a folha ao lixo logo após a terem lido. Pensou em escrever algumas piadas e em algumas escreveu, “Olha para o céu vais ver algo bonito.” ou mesmo “Já viste tens os atacadores desapertados” contudo isto facilmente deixou de ser o que Tomé escrevia e começou a escrever coisas como “És uma boa pessoa, não duvides!”, “Trabalha o que sabes bem fazer para seres feliz no teu afazer”, “Não desistas de algo por ser complicado”, “Mantém os teu aliados cuidados e bem tratados”, “Evita abandonar um amigo por não ires na sua direcção”. Bem, o que muitos não sabem e desconhecem é que Tomé salvaguardou o bom em algumas pessoas e providenciou forças a quem não tinha onde as reaver.

Cada nave era uma mensagem e uma brisa de ar para evitar que a cidade falhe e sufoque no rarefeito ar da metropolitanea.

Ernesto Fulco Guerrero
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