Altiti

Tradição na Aldeia Altiti
Era numa aldeia que se diziam esta palavras todos anos no início da estação do Verão…

“Não fui eu que fiz as palavras “Vou estar a teu lado” se construírem na tua boca. Não foi este homem que fez a pergunta da constituição e construção de casa… Eu não queria forçar palavras da tua boca ou mesmo forçar sentimentos no teu coração. Queria garantir que esses sentimentos de que me falavas eram verdadeiros, eram teus e honestos. Sabes que poderia controlar e manipular as pessoas mas escolho nunca o fazer. A verdade é mais bonita que qualquer pôr-do-sol.

Não pretendia falar da seriedade do caminho que tomávamos para evitar que o coche se partisse antes mesmo de os cavalos terem perdido a resistência. Nunca foi minha intenção ligar-me assim tanto a ti, não queria essa ligação formada para não correr o riso de ela se romper. Não fui eu que disse que o buraco entre nós não se ia formar, como a tantos outros, alguns ajudaram a escavar o buraco outros talvez eu tenho começado a escavar e não tenha tido ainda forma para parar.

Nunca pensei que a rosa ia sequer nascer, mas ela nasceu e foi tanto o cheiro e a cor intensa nela contida que me alteraram os sentidos… Mas acho que faltou água na planta para ela não murchar… Eu andava perdido a tentar controlar os cavalos que conduziam a minha vida. Eles são muitas vezes controlados por outros… E caí do coche, parti o rádio e deixei de ouvir a música que ouvia antes. Minha cabeça bateu numa pedra e conduziu-me a alucinações, mas tu deixas tudo passar como se eu não pudesse ter razões para estar no chão. Cair de um coche em andamento é algo perigoso…

Mas deixas tudo cair em ruínas de uma forma tão estranha que me deixa sempre aqui no lugar onde antes estava… Eu não sou todo poderoso e não posso sempre estar num campo de lírios ou numa praia num dia de verão. As estações mudam tal como nós. Mas acho que o sentimento verdadeiro e honesto não mudaria em 4 fases da lua….

As ruínas são agora a mais bela obra de arte que já olhei, mas são tudo formas e estruturas da minha persistente memória neste cérebro esponja. De nada servem todas a qualidades que se apresentam, de nada chega tudo o que fiz… É aceitar que vivo para reparar os outros e os fazer felizes. Vou agora na direcção do Budismo e deixei já o coche numa loja de antiguidades e os cavalos numa quinta para puxarem o arado, abrindo a terra. Embrulho dukkha e mexo-me para o nirvana. Sozinho como antes… “

Manuel Vela
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