Insónia

Insónia

Noite sem-sono deixei me ficar pelo toque nono
Silêncio preenchem todos os lugares da casa

O chão sujo e na parte mais rasa
Sento-me cruzando as pernas
A quietude e ausência  é o paraíso da solidão
Paredes e tecto por todo o lado, janelas de escuridão
Neste completo oblívio (esquecimento) sinto tuas mãos ternas
Sei ver que estou em ausente laranja fugindo para cinza
Casa abandonada de ocupação com a mulher Ermo
Pelos cantos e recantos dos meus contos de Temo

Apago a luz atendendo que as memórias do passado
Perdidas memórias para a escuridão-enfarte
Apago a luz calculando com números
Que as lembranças venham do esconderijo em parte
Para me dizer olá e conversarmos sobre arte
Mesmo estas não saem nesta tão tardia hora
Devem estar escondidas em algures lá fora

Sono sem-sonhos, Sonhos sem-sono
Neste silêncio nono, somos nove e nada se move
Sono sem-companhia, Companheira sem-sono
Insónia, minha Mulher-anjo
Senhora Insónia Ermo de banjo
Cantas  com vozes divinas
No silêncio de ausência
A quietude e ausência – o paraíso da solidão

Em quarto de camas vazias vou deitar
Vem as lembranças à campainha tocar

Não me levanto sei que elas têm chave
Vão entrar sem eu perguntar quem são
Guardam em si que eu as recebo com coração
Elas entram para ficarem na sala vendo televisão
Nem em meu quarto entram para uma saudação
Mas eu estou no colchão da confortável solidão
Elas são somente uma aparição
Nesta noite de radiação

Nas ruas nada há nem as primas Recordação
Nada vagueia pelos pavimentos da rua
Tal como neste coração não há rio Tua…

Ernesto Fulco Guerrero
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