Há algo nesta noite

Esta força, impulso de levantar para que eu corra para rua, para a escura e boémia noite. Não com alguém, e nunca com vestuário ou vestimenta aperaltada. Correr para a vivacidade do nocturno, descalço, sem qualquer preparação e simplesmente com todo o àvontade de viver, beber todo o suculento sumo do fruto do êxtase.

Partir para um lugar deslocado de dimensões que é  o sentir, o partilhar sem quaisquer fios agarrados, sem amarras, completamente livre e selvagem. Ah a selva, o carpe diem da noite e do palpitar! Esta corrente de sangue, de energia que me electrocuta corre o meu corpo mas este sentimento é apenas meu, não quero ninguém perto de mim. Viver na selva e ser um animal de instinto não é para este agregado, grupo de preocupados e queixosos, embriagados na sua vontade de deixar a dor para trás ou matá-la por desidratação em solução de álcool. Isto seca, não mata! A mágoa não se afoga, espanca-se com um taco num acto de simples e bela rebeldia!!! Ela em coma deixa-te sentir, essa sugadora de alegria!

A lua, o luar, este ar de vida e electricidade, energia como nunca antes… Vou sair a correr para qualquer lugar, para qualquer pessoa que queira simplesmente ser com alma! Sentir não só com o coração mas com a pele, o cérebro e com os pulmões, até que o ar seja tão escasso e os simples e elegantes desejos de ter o corpo de outrem próximo de nós tomem controlo deste arquitecto de carne, osso e rios de sangue!

Este cheiro, este sabor na boca a flores e licor, mel e amor….

Vamos para a rua. Ser mendigos felizes pelo simples estar. Ver, pelos sentidos pelas cores e nunca mais olhar paras as dores. Ver o que é  deliberadamente deixar a bagagem na estação, neste paragem de embriagados caídos para o lado!

Eu estou embriagado na vida…

Ah, como eu vejo algo, como o sinto lá longe em qualquer lugar, esse algo na noite, hoje há algo na noite!!!
Único, admirável, carinhoso e selvagem!

 

Ernesto Fulco Guerrero
Advertisements

About this entry