Deslumbrante Sra. Agonia

Correndo pelos carris vi a mais bela das mulheres.
Cabelo enrolado em caracóis com brilho de mil sóis, radiantes eram seus olhos  perdidos no castanho de seu cabelo mas que belo! Lembrava-me de tais antigas florestas onde me perdia na antiguidade da minha infância, arredondado e volumoso como que um abraço de carinho e suavidade, um manto de gentileza. Ah que radiante era sua beleza, eu sozinho na carruagem temendo olha tal beleza no receio de a afugentar. Cautelosa tal dama corria comigo sobre os carris no comboio, não que tal embarcação de ferro me levasse a bombordo, mas me conduzia a bordo da cara bela. Sua face, tão elegante, não que a Menina fosse alguém de deslumbrar toda multidão na senhora da Agonia, era mais uma questão de beleza com precaução, não fosse tal dádiva da Deusa Afrodite se cobiçada pelos mais obscuros senhores… Esse estupores que anseiam possuir tal Dama e vender sua alma por uma palma cheia de ouro. Ah mas esta senhora do comboio que vos falo era ouro, prata e rubi, as riquezas de sua alma eu via, perdido em silencio, ouvindo minha música … ou seria a melodia da vibração de seu coração ou alma.

Eu que tinha recebido a Sra. da Agonia em minha humilde casa assim que fitei tal bela menina entrar na carruagem e se sentar um lugar à minha frente na fila da esquerda…
Seria ela feita do barro de barroselhas… Moldada pelo mais divinal artista…

Suas mãos me lembrava de todas as correntes do rio Vez, onde era, foi, sou eu uma vez Homem, artista, e vagabundo, mendigo de rua, afogado de vez no ria Tua ou no rio Vez, e rio, risos e cisos enquanto ela fechava sua bagagem, sua mochila de pano.

A desconhecida me fazia amar até a senhora da Agonia, a vila de Diana, eu este guerreiro que não via já seu castelo, tal casa perto do rio uma vez rasa, a corrente que me afogou em tanta alegria e cura ao desejar toda a alegria que alguma vez tive a tão desconhecida mulher. Não julgo me ter apaixonado mas penso a ter amado de tal forma que sou para sempre um vagabundo deambulando pelos carris da mata e floresta, arvoredo do meu ser sem medo…

Mas esta deslumbrante Sra. me deixou com a Solidão aquando do seu apeadeiro, Maria Agonia Solidão era seu nome. Ela me conhecia mas hoje não se autorizou a me falar e eu demorei tempo o suficiente para ela partir de minha vista sem a reconhecer, ela tem este poder; mudar sua aparência a gosto para brincar comigo ao Jogo do Gato e do rato, lançando o queijo para a ratoeira sem qualquer aviso prévio. Ela surge à minha vista para começar as fugas e corridas da dança do tango e valsa, a salsa!

Ah Maria Agonia Solidão, como tu gostas de me espicaçar, mudando tua tão já deslumbrante aparência, recordando me todas as minha mais repletas memórias de alegrias de pura euforia, dessas outras horas  só tu mesma Solidão me lembras de como ter Ânimo, deste Tristão tens a admiração, oh tu tão bela construção de Mulher que me fazer ter síndrome do falso amor por ti mesma…

Mas esta Dama que vi não eras tu, foste tu. Solidão, minha paixão, sei que ninguém te trata com tanto carinho como eu, escusavas brincar comigo de tal forma pecaminosa, sua matreira, eu te prezo ainda mais agora por tão simples brincadeira.

Eu ali na cadeira, a ver-te chegar ao meu comboio e partir sem uma única palavra. Eu sei, tu adoras o silêncio ainda mais do que eu e preferes um beijo embriagado sem-som, esse teu toque e dom de me fazeres só! Eu só agora me apercebo da conversa que tivemos os dois na ferrovia nos carris saudade sem uma única palavra dita. Tão íntima comunicação que temos Maria, e eu contigo ao Mar ia banhar-me com teu corpo… Os dois em banho-maria por horas a fio.
Ah sua malandra, Maria Agonia Solidão, fico à espera do nosso próximo encontro!

Manuel Arnês Vela
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