Poesiaemdia: IV – Quatro

Farto deste dia quatro
Nada parto mas tudo hoje está partido
Em pequenas partes no canto escondido
Até o que não deveria está partido
Coisas sem massa em pedaços
Até a liga de aço
Essa liga que agora já nada liga
Todo partido, Todo fodido
Eu já nada tenho pedido

Não, não sou destemido
Sou só alguém sem sentido
Até isso está perdido, ou partido
Magoado dizem ou ferido
Mas nada disto eu sou
E já a lado nenhum vou
Talvez o azar vem despedaçar
Aquilo que desde a última vez deixou
Marreta ou martelo, seja lá o que ele carrega
Mas é mais duro que qualquer pedra
Será a ferramenta feita de ferro?
Ou será a que corta e eu cerro?

Quatro, parto e farrapo
Despedaço, nada faço sem espaço
Não encubro ou tapo
Tal azar ou sorte
Mas ela vai ser a minha morte!

Aníbal Negrão
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