Poesiaemdia: XV – Soldado da (In)Fortuna

(Lés a Lés)
Todos os dias me pergunto:
Mora neste corpo um defunto?
Perdida já a alma por estradas macabras
Todos os dias me pergunto:
Porque me ponho eu à frente dos canhões?
Para que os outros possam continuar intocáveis?
Nunca feridos com as balas, limpos de nódoas e sangue!
Sempre no mesmo vai-vem da madeira do bumerangue!
Guerreiro marcado e ferido em combate
Mas esta alma nunca se abate
É alma de Abade e elegante
Talvez perdida para a sua irrealidade em dias de chuva
Por vezes deambula por entre a calçada
Nas águas da chuva e na caniçada
Persistente erguida, jamais altiva

Combatente soldado cosido e emendado
Como uma velha boneca de farrapos
Detentor de força até a fibra dos seus fiapos
Já nada sou e tudo nunca fui
Por entre mares e marés vou de lés a lés
Passo por entre os corpos de estorvo à rés!
Até fim do mundo Alma minha comandante
Até ao infinito e mais além sempre pelas marés
Daqui, de lés a lés…

Soldado do Infortuno, vagabundo
Rei deposto nunca proposto
Coroado na cura do desgosto

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