Poesiaemdia: XXIV – O Perfume da Solidão

Não percebo porque pareço
Ser um condenado servo
Da besta mal cheirosa que é
A solidão, sou vítima de uma
Chaga demasiado penosa

Vivo no canto escuro
Da tua mente e coração
Assolado por uma doença
Que nunca curo

É a minha sentença
Por algo que fiz e desconheço
As consequências.
A amizade para mim tem
O mais alto preço,
Será por nunca a ter
Que sem ela vou desaparecer?

Muitos prometeram iluminar
Esta apertada esquina
Um beco sem saída onde
Assassinos vão para matar
Mas a passagem é muito fina
E todos desistem

A minha cara tornou-se pálida
A luz queima a menina que mora
No meu olhar, A besta a vem assustar
Quando se está a mudar
Nunca a vai deixar abandonar o canto
Frio da prisão onde se sente

A podridão que me persegue
Acompanhada pela besta solidão
Não tenho noção
Como me tornei no monstro cão
Que sofre de incompreensão.
(Tão triste solidão)

Manuel Vela (um dos primeiros poemas)*
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