Poesiaemdia: XXVI – A Embarcação

Tinha o barco atracado na ilha
No Mar da distante milha
A tão antiga embarcação
Pela qual o adamastor esperou
Retornando ao cais na sua mão

Trazia a esquecida paixão
Envelhecida parecia perdida
No tempo sem qualquer reparação
Vinha navegando na tempestade
O pano rasgado em mau estado
Mas velejavam o mar com vontade
Os piratas que domavam a Névoa
Seus donos desde sempre
Guiam a caravela em frente
Para portos e cais na procura
De tesouro, de ouro e gemas

Estes perdidos nas rugas do velho
Do velhaco adamastor que aguarda
Olhando crescer estas pedras no engelho
Opalas e marfim espetados na sua pele
O mineral e tesouro de ricos e afim
Que os piratas buscam até ao seu fim
Na escura e rápida caravela Névoa Negra

Sem valor para o velhaco adamastor
Mas sentidas as gemas perfurar com dor
Pela sua pele nascem as feridas de valor
Que os piratas esperam capturar e depor
Toda a riqueza nesta pele endurecida
E levá-la para dentro da embarcação perdida

O velhaco adamastor antecipa o vento
O monstro não é ciumento mas a espera
Fez ele arder nas vísceras como uma fera
E lutará pela sua branca caravela.

Os piratas velejam para seus pés
Construídos e endurecidos de grés
Lançando balas de canhões
Na direcção dos seus tendões
Tendões de Aquiles fundidos com areia
E na caravela, vem a mais bela sereia
A alma da envelhecida embarcação
Mais fraca que a maldição
Não desanima o Adamastor

A quando da chegada ao porto
Da mais bela caravela
Seguida do navio Pirata Porco
O senhor Adamastor preso na cela
Aponta o dedo de canela
Aos piratas sem qualquer porto
Com um alto maremoto
Faz deles corpos de morto

Ser despejado pelo oceano
Este monstro que dá conforto
À caravela no seguro porto
Todo tordo pega a caravela na palma
E a abraçando aconchega a sua alma…

Manuel Arnês Vela para Clara Belamar...
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