Poesiaemdia: XXIX – Comboio

(ufffuffff) (Vrrrrrrr)
Tremores e vibração
Até causa uma certa irritação
No tímpano do ouvido
Ver este comboio movido
Na direcção da estação

Bilhete guardado na carteira
A recordação da partida
A lembrança da chegada
As viagens desta mecânica
São as histórias do Pica
Pica bilhetes, despedidas de papel
Chegadas de carne sem qualquer mel
Saídas de Alegria e chegada de melancolia

Os carris que quem ri
Com a carga de choro sem si
O peso nas dobradiças
Dos sozinhos sem preguiça
E dos triste que cobiças

Todos esperam algum comboio
Todos aguardam uma chegada
Entrar nele e partir para outra fachada
Ou sair da mesma facada
Para pastagens mais verdes
Sem rega a erva seca e vem nova partida…

Tantos locais de simples paragens
Percorrendo rio e margens
Faz o comboio a sua viagem
Numa bela e quente aragem
Na pausa sai gente para reencontro
Quentes como a brisa sem contos
Sem palavras, apenas beijo
Sai tristonho quem deixa beijos
Na entrada anterior
Sai para as escadas com dor
Outros deixam o comboio com amor

Ele prossegue viagem adiante
Já vai ele distante em outra estação
Nesta não pára, coração…
Sentada no baco à esquerda mão

Repousa a velha Sr. Saudade
Vendo passar no comboio
Numa corrente de arroio
O que era apenas joio
Corre agora no comboio, trigo
Era um perigo parar o comboio
Mas a Saudade de longe viu
A emoção que procurava
Esta espera na estação
Era a procura do joio
Deixado outrora mal separado
Descartado como desi-importante

Na viagem sem qualquer paragem
Na proximidade na saudade
Vai a pepita de ouro
Perdida na água para a corrente
Do movimento do sol-poente

Diz-lhe adeus
Que já outra foi algo dos teus…

Manuel Arnês Vela
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