Memórisica

Estranho comportamento este das memórias, toda aquela sensação de peso, quando são distantes e algo se perdeu com o tempo. Ela se alteram, comportam-se de formas diferentes quando expostos ao tempo, essa variação e passagem de tempo, que flui por entre o corpo de qualquer lembrança ou pela mais complexa lembrança, conhecida por memória.
Memórias, recordações, todos este corpos mentais que existem, todos eles parecem obedecer a um certa física, uma certa ordem e reacções ao tempo ou quando expostos a novos agente externos, desde, álcool, uma simples conversa, até mesmo somente uma cor ou uma figura podem reactivar, realçar, como se diz, relembrar certas memórias, não importa há quanto tempo foram elas formadas, criadas ou relembradas anteriormente podem voltar ao activo por algum motivo em qualquer momento.
Por vezes essas forças motrizes podem causar um aumento de massa, uma dilatação ou compressão, toda uma mudança de massa mental, e tornar a cabeça, o crânio mais pesado que chumbo, caído para a proximidade do solo. Tanto peso no pequeno espaço do crânio que o faz estalar, doer, apertar, rebentar, rachar… mas isto é apenas o começo ou o mais normal de relembrar uma memória há muito esquecia de agora é nada mais que um corpo presente na tua mente, uma simples gravura de história que por vezes age com vontade própria, correndo e sendo traquina nos sonhos, viva, activa, e às vezes até mesmo explosiva e assustadora, quem diria que essa memória maquilhadora da vida, esse quadro pintado a pincéis imperfeitos aparenta tão perfeito em sonhos que nos faz pensar ser a vida em real película que vemos sentados ou deitados no banco do cinema do nosso subconsciente.
Estas memórias que nos fazem crer que nos nossos pés há um tijolo preso, que nos continua puxando para o fundo do oceano, como um condenado que tem de fugir da sua prisão e se vê agora rodeado de água, tanta água libertada pelas simples memórias de alegria, de sorriso ou simples calmaria e paz, como que revoltadas na mente, agora agressivas para o seu pintor e realizador se tornam violentas e torturadoras, e podem até persistir durante horas, dias, algumas testam a sua sobrevivência co-habitando com os pensamentos do dia-a-dia, com as contas do mercado, o horário do autocarro, sempre ali a jogar comigo ao jogo das escondidas, deixando-se apenas visível o suficiente para viverem na mente sempre, alimentando-se de cores, cheiros, texturas, e pessoas…
Vermelhas, em tempos, repletas de raiva, tal como uma chama alimentada por gás ou gasolina, ardendo por dias, como que a chama do amor que arde sem se ver, e que ninguém pode apagar. Ah mas temam esta chama, ela nem sempre é uma lareira que esquenta e aquece os frios pés em pelo inverno, ele é também a nascente de fogos florestais incinerando as mais pacíficas recordações, verdes árvores da floresta da personalidade.

Todas esta memórias dormentes, apaziguadas na nossa mente, meramente descansando para quando for a sua vez de pôr os pés no palco principal do recordar, e fazer o seu papel, ler o seu texto, dramático, cómico ou satírico, de qualquer tipo mas são actores, máscaras das peças da mecânica da física de recordar. Actores sem recibo, ou fama, mas perfeitos a actuar, corpos moldáveis para qualquer filme ou curta história, peças, actos ou livros e até romances, são elas, as memórias, personagens de infinitas histórias!

Vela e Laz!

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