Dimência

Outrora vivi em outro lugar, diferente, um pouco fechado até… uma diferente dimensão, um pouco irracional na sua meteorologia, no seu ambiente e anormal de fauna com um toque de confusão de flora, mas na mesma belo, em todo o seu esquizo ecossistema! Montado em pequena escala, encolhido talvez se possa afirmar, mas a verdade é que o tamanho nunca foi uma limitação pois este lugar que do exterior é tido como finito, é no seu interior, na sua raíz e natureza sempre infinito! Tempo, e temporais todos isolados, separados do exterior mas permeáveis a sensações e estímulos do estrangeiro, essa longínqua terra de distância incalcinável, terreno separado por nada mais que o meu crânio, aberto a visitas e observações mas onde eu posso nada mais passar que umas férias, um mero intervalo de curta dimensão pois eu moro num mundo sem dimensão, um globo de gelo, um globo redondo medonho vidrado em forma de bolha, não esférico mas maleável em forma de esfera. Nele fora eu, uma fera, um artista, um cientista, um poeta e milhares de almas que não encontram mais lugar que este para morar, para chamar de casa. Este globo que hoje, neste inverno neva, foi a minha casa por dentro, dentro de mim, na minha mente…

Este globo de neve é o universo da minha demência, sem qualquer dimensão, adimensional para qualquer outro mortal que não eu, chamada de imaginação, um cubo de papel dobrado para criar uma esfera… A neve cai agora, e vejo que outrora morei neste globo, agora viajo para dentro, fora dele mesmo mas nunca o abandonado pois a ele volto sempre para ver quem sou, mesmo que seja mais que um, sou sempre um extraterrestre de um globo terrestre!

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