Pele-im: esfolada

Estou a viver no exterior da minha própria vida, um manequim… sou nada mais que um manequim com um dicionário de sentimentos, emoções e comportamentos no qual eu nunca estou, este manequim tem sido a minha pele, mas eu raramente a visto, nela todos me julgam ter visto, avistado e confraternizado. Mas este manequim é nada mais que um substituto meu, algo que deixei no meu lugar para se comportar tal como eu, em vez de eu estar presente.
É a pele que mais vezes retiro do Pelário. O meu vestuário de peles, cuidadosamente construído para preservar e manter tais peles saudáveis e vivas! Rugas às vezes se formam mas eu estou longe deste meu corpo manequim que uso para ser humano.

Látex, borracha, colagénio, um avatar que vou habitar mas que não é o que eu sou, e nele nunca vivo, apenas deixo esta pele, esta superfície que criei seguir o rumo de todos os algoritmos que criei no seu interior pelo tempo fora para se comportar, agir tal como eu e sentir tal como eu mas nunca EU! Esta cobertura que segue as regras do meu ditado programa, e que vos tem deixado crer que eu vivo dentro da pele que os olhos vêem, não é que eu esteja longe do manequim, ele praticamente é o mesmo que eu… uma ilusão criada por mim mesmo.
A mais perfeita criação de uma entidade que confere a ilusão de real independência de real vida, mas o inanimado causa e efeito com regras de ego, e parâmetros de ser, eu vivo fora da minha vida. Esta pele não tem fecho para eu a vestir, porque esta pele não é exterior, é superficial, mas impossível de usar pois é um espantalho que ocupa o meu lugar quando eu solto as cordas que ligam o meu pensamento à carne que eu sou. Um ser cósmico que não quebra tais cordas mas que faz delas elásticos. Destes elásticos minha mente os faz o mais compridos possível de cada vez, de cada vez que dela saio para ver o que existe por fora da Terra, e por entre a massa da massa galáxia.

Este manequim talvez seja a pele com mais substância que coloco no armário, isto pois não o posso deixar oco para todos os meus contactos verem que dentro nada mais há que ar, o que seria quebrar o espelho da ilusão que tal corpo de borracha é o mesmo que eu, e, decerto, tal ruptura levantaria várias perguntas. Por onde andaria eu se nada existe dentro do falso corpo, o meu manequim… Mas a borracha permite-me ainda mais coisas para além das cordas elásticas, permite-me ser um camaleão de colagénio, mutável, adaptável e transformável, uma constante forma física que me permite deixar ser tocada, arranhada e reagir com as acções que se formam com esta tão especial vida, vida humana chamada. Este elásticismos se reflecte la flexibilidade e minha pele, ou será a do manequim? Mas esta elasticidade não é apenas física e em simultâneo mental, que me deixa puxar minha personalidade à ruptura psicológica e retomar nova forma quando tal corda encolhe de retorno ao seu estado original. Neste corpo existe ainda mais processos físicos, a erosão. A erosão de tantos ventos que se expressa neste boneco, é permanente e controlável mas eu, minha mente pode apagar tais cortes, marcas e deformações e fazer nesta Metanoia a reformação.
O manequim nada mais faz que ser derretido, por vezes até moído na presença de incontrolável conflito e deste líquido derretido ao massa liquidificada, nasce um novo corpo, um novo manequim, com novas ferramentas aptas para se adaptar! E tal metanoia é agora uma parte desta mesma pele que aqui vos apresento, pois esta bela pele, é capaz de se auto reparar, sem eu ter que a ela voltar, habitar ou repara. Pele com a ilusão de vida mas que se comporta por minha linguagem como uma peça de vestuário da minha vida…

 Dermátome

Egas...
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