Lama-sal glama

Vi-te nos meus sonhos, mais que uma vez, és tu quem vem para me acordar deles, remover-me de tal criação, não prevenindo o medo ou o desconforto desses terrores noctívagos, mas para me mostrar que há dentro deles algo, algo como tu…Todos esses conjuntos, aglomerados de ideias ou imagens que se apresentam como fragmentos meus e fazem a bobina rodar a cena com meu espírito como espectador neste cinema “Sono”. Estes sono que tem ainda teatro e me faz dele uma personagem integrada na peça que observa…

Meu nome surge nos créditos quase sempre, mas o teu apenas é presente acoplado com a realização ou produção fotográfica.
Encenas sob minha mente de palco e actriz, elaboradas obra dramáticas e comédias de contínuo riso, as mais deslumbrantes construções e sinfonias produzidas e tocadas ao vivo, em carne e osso mesmo! Tão reais que fazes meu sono ser nova dimensão. O leito da tua criação a qual és apenas a encenadora mas nada mais controlas que o teu tema e forma de expressão … e deixas tantas vezes o improviso tomar conta das rédeas desta égua tão fugaz e selvagem que deslumbra minha mente tantas vezes como as que vem matutar com ferraduras, cravá-las em mim…

Mas no fim sempre vens tu, surge no sonho para me transportar de novo para a terra, não de pés assentes na terra mas corpo inteiro enterrado na realidade e de tantas vezes deitado sobre o solo. Tua beleza por vezes ainda mais perturbante se torna em tão turbulentas histórias… e teu toque me faz querer permanecer nesta dimensão, que agora criaste em meu espírito, mas que existe nele há vários ciclos solares e anos lunares. Esferas de navegação elíptica  e ocular, resistente no escuro e obscuro, nas esquinas minhas e recantos escondidos de mim e de outros. Para eles tu me levas, de mão dada comigo, raramente acontece mas muitas vezes tu conduzes a viatura eu vou no banco de trás vendo tuas belas telas de paisagens pintadas a guache e tinta de óleo… carvão mais vezes que as que eu desejaria. E cor reside nesta dimensão trazida por escuridão e cedência.

Sono me recusa por várias vezes e tuas novelas não são escritas nem encenadas tantas vezes, e nem ovelhas fazem tal sono caminhar para mim, mas eu sonho, as lamas me são familiares e conduzem para a tua criação… não sonho com ovelhas, vejo lamas.

Não sonho mais com ovelhas mas apenas com lamas.
Não vejo mais rebanhos, vivo no meio de alpacas…

Mente repleta de lamaçal que corre por meus canais de pensamento, e nesta noite enlameias tu, meus sonhos com água para me fazer lama…
Ruminante e persistente artista, insistes em me mostrar tu mais nova e meticulosa criação. A vida de lama que em mim habita, mas a alpaca que me veste com fibra da mais segura e requintada qualidade. Delicado o camelídio me vem fazer companhia e me leva na corrente que deve deste pico…
Sonho de lama… e tua mão me vem prender e suavemente agarrar e me faz acordar… sal, sol digo, avisto agora mas tu continuas-me tocando e me acompanhas na tua tão repetida e forma rotina, de acordar

Egas
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