Abraçadeira

“Havia uma invenção, uma louca e perturbadora invenção na secretária, era a mesa de escrita de um escritor, um inventor de diversas ferramentas, quinquilharias, tralhas e inutilidades de antiguidades, algumas até recicladas. Era relativamente esférica, fazendo lembrar a curvatura no corpo, a forma, do tronco humano com umas pequenas extensões, quase, praticamente, vá, diria mesmo com braços. Abraçadeira, a nova invenção de um maluco, uma ferramenta com vida, com carinho, uma maquina de carícias, uma abraçadeira….

Mas a origem desta abraçadeira, era de tão recôndita e anormal que mesmo apesar de ternura, e paixão esta abraçadeira era… como que um remoinho, um moinho que mói, à força do vento, a força motriz, a correntes de mar, marés e correntio fluvial, rio de ideias, de devaneios, de ideias obscuras… às vezes nada mais que um buraco no quarto, na divisão onde o escritor pegava na sua caneta e folha braça… onde o tenro abraço da Alucinação! Essa abraçadeira que me prende a ela, que o prende a ela… essa abraçadeira que agarra, com carinho mas que não deixa. Que me leva para a suave paz de dormir mas que me conduz para sonhos de i-realidades, vividas, construídas por tal mente de imaginação de escritor.

Abraçadeira de metal, mal e pedal que me leva em viagens, de mil maravilhas e uma demência…oh tenro abraço, um laço, uma camisa de forças, seda em leito de mel, correntes e pesos, ah abraçadeira, minha derradeira amiga e companheira larga-me prendendo-me até sempre!”

Soldado…

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