Mundo Morto

…. Trecho de um Mundo Morto, que morre e renasce, e morre…
“Sou morte, a morte que vos busca, Hades o deus do subsolo.”

Estava escrito numa árvore junto ao muro do cemitério, gravado na madeira em profundidade, como se alguém tivesse pacientemente e cuidadosamente retirado a madeira do tronco com os seus próprios dedos…

Os ramos da árvore, agora despidos de verde ou qualquer folha, cresciam em direcção ao portão enrolando-se por entre a porta, as pontas delgadas criando um entrelaço. Só agora, olhando para o portão, se pode observar, que ele não é um portão, é a entrada para uma gruta, forrada com a parede, com pequenas ervas onde repousam pirilampos. Cintilam como estrelas, e o observador deste quadro pintado a rápidas e quase amorfas pinceladas, pergunta-se no interior da sua caverna de razão: será este realmente um cemitério?

Este observador, é seu nome Rigormortis Chagas, caminhava com seus confortáveis rasos sapatos de camurça acastanhada-ó-escuros. Arredondados nas pontas e bem flexíveis, clássicos no sentido da palavra, perna acima eram acompanhados por pano tenso e suave de uma cor escura. Qual? Era uma dúvida a tonalidade. Bolsos frontais com linhas arqueadas e um simples fecho no seu meio. Acima, no tronco do corpo de Chagas uma camisola, uma simples camisola com gola normal e de bege cor, sobreposta nos largos e musculados ombros por um sobretudo de cor cinzenta justo ao corpo, denotando-se em Chagas o seu simples tronco de homem, medidas assertivas e massa muscular de útil aforma. Pela sua cara simples formas e pele morena pálida, sua boca pequena e selada pelo silêncio para seus olhos tapados com redondos óculos esverdeados.

Encontrando-se já por entre a gruta, a um passo de entrar, a um passo de sair, Rigormortis hesitava devido à presença de brancas estalagmites e estalactites. Apenas na entrada se viam estas rochosas formações e para o profundo se via a garganta da caverna. A entrada era húmida e coberta por musgo vermelho, com espaço bem alargado mas com linhas curvas a demonstrar uma forma arqueada. Chagas parecia confuso com este novo aspecto que o cemitério tomava. A gruta de paredes e chão esponjoso não era de todo assustadora e de seu tecto um 5 metros para o seu interior balançava no tecto uma circular planta carnívora que está nesta hora calma e no seu descanso. Ultrapassando este o corpo de Rigor.

Rigormortis olha para os lagos de brilhante e refrescante luz. As águas que refrescam e dá vida a, por vezes, um rio. Olhos de águas que o ficam agora presos e bloqueados. Os lagos sem movimento  agora que o pallor mortis das cidades e aldeias perdidas por entre as florestas de cabelo que, mesmo com o corpo agora morto, continuam trabalhando. Assim, continuaram crescendo as árvores por mais duas semanas, como sementes crescendo sem nutrição, não realizando o passado ainda por entre a riqueza do solo. Este pallor, este pálido ar e cor que agora é visível na superfície, o fumo proveniente das cidades e aldeias capilares deve ter enfestado a atmosfera com um branco fumo, clareando a pele da sua cor acastanhada.

Rigor caminha pelo corpo morto de alguém, entrando pela boca e saindo pelos corte nos peito para ver montanhas no tronco e rios nos olhos, florestas no cabelo e vales nas pernas, colmatando em altas e aprume cumes por entre um abismo que o leva de volta à terra.

Erebrus

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