Em carne e Osso

Quero rasgar esta pele, com violência e delicadeza ao mesmo tempo, puxar por uma abertura, um corte meticuloso, que me deixará descolar está pele de uma só rasgão! Ser apenas a minha carne, vermelha e em contacto com ar, quem sabe se será ainda carne por debaixo desta pele. Estas coisas que visto, todos os dias, que uso por horas a fio… ah mas ela já não arde, ou faz comichão… nada de desconforto, mas como anseio por sentir a minha carne, ver a minha carne que se esconde, que cresce no seu interior! Sem armadura, agora, apenas pele! E mesmo essa quero tira-la.
Ah mas esta pele não sairá sem o máximo de dor que alguma vez vou sentir, e as vezes me pergunto porque não a tiro de uma só vez? Porque persisto em usa-la sobre mim, no topo destas coisas que é o meu ser, em cima disto tudo que sou… Porque continuo a usa-la…
Por vezes penso que é porque não quero assustar quem tenho agora comigo, quem partilha minha companhia… ver-me sem pele seria algo macabro, algo violento para esses belos olhos.
Contudo, também não a quero usar pois não pretendo mentir, a quem me vê agora, quero ser eu mesmo, não que eu minta sobre mim, mas oculto algo, escondo algumas coisas… rasgar toda esta pele seria tão belo quanto macabro, seria total honestidade, nua e crua, tudo o que sou para ela ver, observar… ou algo mais que pretenda. Esta pele que as vezes é uma jaula e prisão e por outros tempos é um casulo que me fará algo mais sofisticado!
Não que eu acha que a pele é feia, acho-a agora bem elegante, pode não ser deslumbrante, mas tem a sua beleza, em simplicidade e criatividade mas por algum motivo sinto o som dela, ela quer sair, o som dela dever ser mudada, talvez seja só receio ou crescimento, mas há pele que rasga…

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