Figurilha Muda!


Figurilha sem Língua ou Boca
{Homenagem a Hans Christian Andersen…}
“O Menino, o Vento e o Mar” – Deadcombo
Tomo I.

Figurilha Muda!

No chão perto da lareira, estava deitado com o seu peito voltado para cima uma Figurilha. Era feita de Ferro e de certo pela sua posição tinha ali sido deixado por uma brincalhona criança. A Figurilha, como a criança lhe chamavam, era nada mais que um senhor vestido de fato, com um aspecto da década de 70, como é claro tinha um chapéu redondo como se viu Sinatra usar. Era de média estatura, para uma figurilha pelo menos, digamos uns 4 cm… tinha um cabelo curto e castanho, os seus olhos eram pequenos e da mesma cor. Era claro moldado de ferro de muita qualidade não fosse ele um Senhor.

Tudo isto não faz da Figura algo especial. Era a ausência de boca que fazia dela algo diferente entre todos os brinquedos. Não falava e sendo esta de ferro não pode aprender linguagem gestual pois teve de esperar a sua solidificação para se poder deslocar e aprender. No dia em que o rapaz abriu e viu a estátua pela primeira vez olhou a com um ar de intriga. Porque não tinha ela uma boca? Perguntava-se o rapaz. O seu pai lhe contara minutos depois do rapazinho abrir o presente que esta não tinha boca pois no molde para este boneco, pouco antes do ferro quente e líquido ser vertido para o fazer, o local para boca estava ocupado por um pouco de borracha criando assim uma superfície totalmente lisa no local da sua boca do Sr. Bartolomeu.

A Figurilha foi então feita sem boca, mas para o rapaz ainda havia uma dúvida, tinha o boneco língua e podia ele falar? Era somente a falta de boca que o impedia de falar? O rapaz tinha assim apelidado a Figurilha de, Sr. Bartolomeu, este era o nome de um pobre senhor que viva na rua e que o rapaz nunca tinha ouvido falar, ele só esticava a mão pedindo uma moeda. Quase todos os dias o rapaz lhe dava algo nem que um pouco de comida quando não tinha moedas. Mas a figurilha permanecia no chão esperando que o rapaz, de seu nome António, o viesse buscar e arrumar na sua preferida estante. A estante que lhe permitia ver o mar e as árvores verdejantes pela costa. Como ele gostava de ver a natureza tal como ele, ela não falava. Entendiam-se com o silêncio. Mas agora esperava calado no frio chão de azulejo o Sr. Bartolomeu, não podendo chamar pelo seu amigo António.

Esperava ouvindo a Mãe repreender “António… Vai arrumar os brinquedos, ainda se magoa alguém no boneco de ferro, ainda ontem o teu pai ia tropeçando nele.” Ao ouvir o Sr. Bartolomeu lembrava-se do que ontem tinha acontecido. Ele tentara gritar para que o pai do rapaz pudesse aperceber-se dele. Mas isto era inútil ela não conseguia falar. “Como posso eu ser percebido, nem falar consigo?” Pensava olhando o tecto e nesse estante uma gigante mão se aproximava da sua face era António que se voltara para o devolver à estante. Como sempre colocou-o com suavidade e calma no seu lugar deixando-o rapidamente para ir jantar. O Sr. Bartolomeu podia agora ver o Mar…

Estante da Figurilha
Tomo II

Na estante pensava o Sr. Bartolomeu. Pensava em navegar nem que apenas uma vez, navegar o azul e turbulento Oceano. Viajar ao sabor do Vento. Percorrer o Oceano sem saber onde o vento o levaria. Pensava e sonhava com essa viagem de cada vez que o António o colocava na estante. Pensava sem nada poder dizer, mudo no seu canto. Mudo para o mundo. Como podia ela alguma vez pedir para ir até ao mar. Teria ele de esperar que, por alguma obra do acaso, o rapaz o levasse para ver e tocar a praia, tocar a areia, ver o mar, sentir o sabor do sal na brisa marítima.

Era ainda mais desconfortante para o Sr. Bartolomeu agora que o pai de António se tinha dedicado a construir modelos à escala de antigos e clássicos automóveis. O seu mais recente trabalho era um Ford Mustang numa cor de Noz, com apenas dois lugares do ano de 1967. Com os seus faróis circulares e o design do chassi com a agitação e o relacionamento de amor entre as linhas rectas e redondas o modelo estava ainda por terminar. Faltavam-lhe ainda duas rodas e o capo, podendo ver-se ainda o motor, Bartolomeu podia ver o detalhe com que o modelo estava feito. Ah a precisão, a beleza do motor V8 era refrescante e sem aparente razão a figurilha na estante pensava quando iria o velho Pai construir uma caravela… De certo com tanta precisão e detalhe ela poderia funcionar, poderia um dia leva-lo ao Mar sem ele ter que um palavra Falar.

Ele do seu alto ponto, da estante envernizada dando-lhe um tom de escuro e encerado, tal como o Mustang na mesa mesmo a 3 metro dela. A madeira da estante era preta e rugosa mas com toque macio. Tinha uma estrutura desajeitada e desorganizada, a prateleira onde estava o Sr. Bartolomeu parecia estar desalinhada, torta, e não paralela com nenhuma outra tábua. O Sr. Bartolomeu descansava perdido nos pensamentos da construção da mais bela e rápida Caravela que ele podia imaginar. Ele não era nenhum especialista mas imaginava- a a ser construída, imaginava a sua armação a ser montada, o casco a ser pregado, o mastro a ser posto no centro trazido das distantes plantações de Carvalho de D. João, forte e flexível. As velas do mais forte e nubloso linho feito pelas mais maduras e conhecedores aldeãs. Deitava-se no seu suporte de ferro o Sr. Bartolomeu pensando na bela embarcação que pretendia um dia velejar. O suporte fora construído pelo António com a ajuda de seu pai pois por vezes a figurilha caia da estante ficando abandonada no chão à espera de alguém para ao seu lugar regressar não lhe sendo possível gritar por ajuda. Não querendo o rapaz perder o brinquedo montou o suporte de apoio e descanso de sonhos do Sr. Bartolomeu. “Sonhos de Navegação do Sr. Bartolomeu”

Caravela “Vera Cruz”
Tomo III

A estátua muda, descansava na sua estante perdida. No silêncio da casa, perdida na observação pensando, reflectindo mas sem em nada concreto pensar, apenas pensava saltando de ideia em ideia, de achar e pensar em considerar e reflectir. Não podia conversar… não podia participar nas festas mensais de Brinquedos, não era interpretado pelos outros e para além disso não sabia o que dizer. Espontaneamente passava na casa de bonecas mesmo ao seu lado para cumprimentar as belas bonecas que se penteavam e maquilhavam para cada saída que faziam da bela casa. Saudava-as com um olhar mais simpático pois muitas das vezes deslocava-se ao café para tomar um café ou um chá, nos dias mais calmos, e comer uma fatia de bolo de pudim confeccionado pelas mãos macias e perfeitas da brilhante Manela Massa. Ela já sabia o que o Sr. Bartolomeu queria pelo seu olhar e servia-o logo que este se sentava. Num certo dia quando o Sr. Bartolomeu chegou ao café de seu nome, La Pasta, viu pela janela do café uma armação na mesa dos modelos do Pai de António. Parecia lhe algo familiar, algo de forte e consistente mas não conseguia perceber o que era.

A sua noite tinha sido atribulada, tinha sonhado com uma vivacidade enorme que se sentia estourado e sem forças, o seu sonho o intrigava logo pela manhã. Estava tão pensativo nesse dia que nem a barba desfizera e apenas olhara para a casa de bonecas nem se apercebendo que as Belas raparigas tinham comprado um deslumbrante vestido e desfilavam com ele imaginando-se serem tão preenchidas como a Natureza, sentiam-se calmas. Mas nada disto estimulava o Sr. Bartolomeu, apenas a armação o acordou e o felicitou com um “Olá” cheio de carinho, paixão e emoção. O Sr. perguntou então com uma voz feliz: “Desde quando está a armação na mesa de montagem?” mas nada o ouvi, pois ele se tinha esquecido que não falava, apenas ouvia a sua voz na cabeça. Durante 3 minutos o Sr. ficou olhando a armação até que Manela se apercebera e perguntou. “Sr. Bartolomeu, vejo que reparou na nova construção. Pelo que vi da embalagem é uma Caravela, o seu nome é engraçado e belo. Chama-se “Vera Cruz” e tem um aspecto de que será uma bela embarcação”. Bartolomeu não podia responder mas aguardava por ver a montagem da caravela Vera Cruz.

Nesse dia permaneceu todo o dia no café olhando a janela e esperando que ela fosse montada. O António não estava em casa durante o dia todo portanto a Figurilha tinha tudo o tempo para si. Tempo que passou rapidamente. Eram já seis horas quando o Sr. Bartolomeu olhava para o seu simples e clássico relógio de pulso. O rapaz, o António deveria estar a chegar da aula de natação. Cada vez que o Sr. Bartolomeu o via entrar com a touca ainda na cabeça a os calções pingando água imaginava-se navegando a caravela por uma enorme tempestade, lutando, no mastro contra as fortes e imprevisíveis correntes e impetuosos ventos que fustigavam as mais belas e macias velas. Neste dia ele tinha se perdido tanto tempo nos pensamentos que quando regressara da tempestade de pensar olhou para a mesa de montagem e viu o pai de António iniciar a montagem do casco na caravela.

O nome do homem era Valentim. Tinha uma barba já esbranquiçada apesar dos seus 48 anos e com enorme calma e precisão de mãos começou colocando uma tábua no casco. O Sr. Bartolomeu ansiava que o tempo passa-se lentamente para puder aproveitar todo o tempo. Mas para triste alegria do Sr. o menino António decidiu pegar na figurilha para com ela brincar. O Sr. Bartolomeu tentou não tirar os olhos da caravela mas nada pude fazer quando a enorme mão do rapaz pegou nele tapando-lhe os olhos.

Cego para a Bela Caravela.

Velas, Velejador e Valentia
Tomo IV

A Replica se levanta, se edifica perante os olhos do calado senhor. Todos os dias mais peças são acrescentadas na construção e o Sr. Bartolomeu aguarda poder alguma vez a tocar. Valentim não tinha pressa, calmamente continuava a sua caravela, a cada dia mais completa, mais pronta para os Ventos atribulados para os quais nunca fora feita pois era uma miniatura à escala. Era frágil e as velas que vinha conjuntamente com todas as tábuas e peças na caixa eram feitas de papel muito fino que não aguentaria a mais suave brisa. Era apenas uma Caravela para exposição mas na cabeça do Sr. Bartolomeu era uma embarcação rápida. A Caravela!

Velas! Bartolomeu, sem poder falar perguntava-se. Como irá Valentim colocar as velas na caravela? Cega a figurinha não conseguia perceber como tão estranhos pedaços de tecido seriam colocados no mastro e nas ramificações. No seguinte dia após já o casco estar reconstruído e o poderoso e altivo mastro encaixado no centro da “Vera Cruz” o Sr. Bartolomeu acordara pensando o que poderia ele fazer para apreçar a construção da mais bela embarcação… As ideias corriam pela sua cabeça como desenfreadas crianças que estavam hoje pela manhã de férias, livres de qualquer compromisso. Voavam no céu do ferroso Homem as ideias. Trazendo algo de mais activo à sua cabeça, fazendo-o se esquecer que nunca poderia falar. O seu falar, a sua linguagem eram as fibras da vela, eram os pensamentos, eram a rede de padrões nas velas. Eram a sua tentativa de Velas. Pensava…

Que material posso eu usar para o pano? Não pode de certo ser qualquer coisa… Mas terá também que ser grande, que posso ser uma única peça para que o vento seja uniforme por todo o tecido. Para que a força deste não se perca nos cortes e costuras da vela. O Sr. permanecia no seu suporte sem qualquer ideia, sem qualquer real conclusão, sem qualquer material para trabalho… Decidiu num momento de loucura, num instante de acção-pensamento se levantar e caminhar. Ver a casa onde morava, ver as pessoas mexer, fazer as suas tarefas, observar os brinquedos nos seus momentos quotidianos, descobrir novas coisas, olhar velhas com novos olhos. Acordou para explorar… esta seria a primeira vez, a primeira exploração.

Caminha pelo passeio mesmo em frente à casa das bonecas de porcelana, mais um dia de alegria para elas, um dia de gritos de emoção e conversa na casa. Olhando tudo o Sr. Bartolomeu pensa. Ele procura no escuro do inútil um objecto que se tornará útil para a Caravela. Perdido agora num mundo nunca antes visto, nunca antes falado por este Comandante sem comandos… Ele busca no nevoeiro do não-ver um velho objecto que poderá agora servir uma nova função. Que tenha agora outra utilidade. Continuando a sua caminhada passa agora pelo Zoo. Este está cheio de animais, preenchido com feracidade e energia. Mas nada aqui lhe parece servir o papel de vela. De certo se a embarcação fosse de remos os velhos e fortes Gorilas poderiam dar uma Mão para remar. Mas nada aqui poderia servir de vela. Mais frente e descendo na prateleira de Fernando Pessoa estava a Academia militar. Talvez aqui possa haver algo. Olhando a entrada o Sr. Bartolomeu via a bandeira ser hasteada e um plutão de soldados de Chumbo caminhava perto do quartel. Eles faziam um barulho cronometrado e que lembrava de imediato coordenação e força. Bartolomeu entrou na Academia. Ele conhecia o General Amaral, Veterano de guerras. Era hábito “conversarem” pela manha na La Pasta. Nada de mais, uma conversa de cumprimentos e umas pequenas historias de guerra que Amaral contava. O general estava a sair dos seus aposentos e de imediato identificou o Sr. Bartolomeu. O que o trás por aqui velho companheiro? Ambos sabiam que era inútil falar. Contudo Amaral percebera que o olhar da Figurilha se fitava no pano que protegia o tanque. Esperou que o Sr. Bartolomeu o olha-se como que colocando a pergunta. Poderá aquilo servir de vela? Após este esperado olhar lhe respondeu o General Amaral. Infelizmente o tecido não e muito flexível e mais certamente se rasgaria com o vento. A face da figurilha ficou mais cinzenta que o normal, não fosse ele feito de Ferro, que com uma continência se despediu e continuou descendo na estante! No piso mais a baixo encontrou nada uma prateleira vazia. Era o local onde António colocava os seus livros, os livros da escola. Lugar onde ele agora se encontrava. Mais um piso e a figurilha desceu para o solo. Ele podia ver no centro da sala, numa manta repleta de cores, a irmã mais nova de António, Amália. Uma loira bebé que mal gatinhava e que vestia um grande e comprido vestido branco… Branco… Era linho. Forte e com tamanho suficiente… Era perfeito. Correu para Amália como se por um campo de batalha se trata-se. Quando chegou ao Branco, ao tecido pretendido esticou a sua mão de ferro e puxou um pouco do tecido da roupa de Amália. Com precaução rasgou-o com o tamanho perfeito para a vela e correu novamente de volta para a estante. Escondeu-se entre a madeira e uma caixa de cartão, aqui dobrou o tecido que prendeu com dois cordéis soltos da Vela aos seus ombros. Subiu a estante para o seu miradouro e olhou a Caravela!

Velejador! Ausente está o Corpo, o capitão no leme. Na caravela, ninguém a comanda. Vazia. Oca. Com um brilho nos olhos a Figurilha engenha uma maneira de lá o seu corpo se pousar, de chegar ao mastro e colocar o mantel. Agora com a Vela do manto de Amália. O corpo frio de Bartolomeu aguarda a fuga para o seu desejado fruto. Inquieto e sem se poder expressar pensa… percorre as possíveis maneiras de atingir o leme da caravela. Mas não consegue a adrenalina é alta, é uma montanha de altura. Com escarpas e ravinas perigosas. Descer desta montanha não poderá agora ser. A figurilha terá de aguardar, esperar pela bonança, pela calma dos ventos ou cairá 12 andares desde o topo do cume até ao sopé da selva, onde os gorilas lutam e se impõem. E este tão pequeno Sr. devastado pelas ventosas correntes de ar. Tão pequeno e desinterligado no mundo dos brinquedos, sozinho será impossível se posicionar como velejador… Pelas suas próprias mãos não trará direcção à sua caminhada. Neste instante apenas esperar é a solução. Aguardar…

Aguardar na sua poltrona, no seu lugar de descanso apoiando cada vez mais as costas, deixando o corpo cair sobre o suporte, permitindo que os seu olhos permanecessem mais tempo fechados, pensando mas nada alcançando. Parado para descansar mas inquieto na busca do velejador. Permanentemente procurando a progressivamente adormecendo… Caindo sobre o manto de sono, passando e transportando consigo para o lugar do inconsciente a sua enorme vontade, deixando-se levar empurrado para a apneia do sono. Suspenso…

Solto até que somente preto lhe preenche a cabeça e ele finalmente termina a sua gravação do consciente a corre pela deserto fértil da dimensão do cérebro da sua cabeça, que a todo o tempo permanece no seu crânio. Que termina, que desliga… … …

Apenas existe agora o nada e tudo na sua a cabeça, a viagem pelo desconhecido, o inconsciente do consciente. O nada saber mas o tudo poder fazer, o confuso e claro do incerto. Todo um ramo da árvore, todo um caminho por entre emaranhados de soluções e um chão de problemas. Uma dimensão de novo permanecer sem que a figurilha agora estática e congelado na sua carne de ferro frio sem matéria para expressão vocal. Desvocalizado perdido no escuro e negro do sono acordado de um metal amolgado, viajando pela dimensão sem comprimento, distanciamento ou mesmo altura.

Agora nada existe e tudo está presente!

Sem perceber quando o Sr. Bartolomeu acordou ciente do onde se encontrava, mas sem saber quando se encontrava, com o seu olhar a fixar a caravela e a sua cabeça bloqueada numa ideia que lhe persistia desde o sono. “Tenho que por os pés na caravela.” Levantou-se para algo fazer para sair do impasse. Pousou o seu pesado pé e olhou para as suas botas de sola baixa, com a ponta um pouco pontiaguda e passo a passo foi descendo a estante, descendo prateleira a prateleira lentamente mas com firmeza e decisão. E assim que chegou ao solo parou fitando a mesa onde se encontrava a Caravela.

No escuro pela esquerda da estante onde o Sr. se continha apareceu o General. Bom e Lutador Amaral. E numa voz forte disse. “Pretendemos conquistar os tanques a veículos que o homem construiu. É hora de este exercito de Soldados se tornar um agrupamento de almas e corações…” Sem que o Sr. Bartolomeu se apercebesse da base a estante saíram milhares soldadinhos, de chumbo, madeira, plástico e mesmo pedra. Todos preparados para a conquista. Baralham de mini-soldados armados e com coração de leão. Todo os soldado é um amante do sentimento tal como o sentimento de velejar a caravela pela figurilha. Sr. Bartolomeu era já uma peça deste puzzle. E numa marcha tão complexa e coordenada que qualquer observador, como as bonecas da casa perceberam que algo forte e vivo se mexia naquele momento.

O tempo passou sem ninguém o conseguir quantificar e já militares tinham tomado os tanques e transportes, o velejador a caravela e agora um empurrão o separava para da viagem de navegação deriva que a solida figurilha pretendia desde o primeiro dia…

Valentia! Coração bate com rapidez no peito do Sr. Bartolomeu, o momento é perfeito. Este é o preciso ponto no tempo. O Ponto em que seu corpo frio arderá por dentro de coragem, arderá de valentia. Mas primeiro o medo ele sente, um monstruoso e forte medo que o domina impedindo-o de agir, de mexer de FALAR mas nunca de pensar… O sua embarcação seria empurrada para a água do ralo, do cano no apoio da janela. Com um empurrão de um dos tanques. Dois tanques no fundo da mesa se aproximavam da embarcação e uma rampa à sua frente de encontrava. O roncar dos motores acelerava o Sr. Bartolomeu e com um embater no casco os tanques começaram a empurrar a caravela, velocidade ela ganhou tal como o seu coração e de seguida veio salto… para ultrapassar o parapeito da janela…

Quando a caravela embateu na água a valentia do velejador explodiu e as suas mãos no mastro tornaram-se um só organismo, o cérebro e o corpo, a figurilha e a caravela….

Relâmpagos e Trovões
Tomo V

Rápido, ráapido, ráaaapido a água corria pelo encanamento, como que uma enxurrada, a água tão agitada e feroz. Tanto movimento, como se cada 10 segundos se reduzissem a apenas 1… No leme, com as suas pequenas e rectangulares agarrava-se o homem-metálico à madeira. Tentando funcionar no seu lugar de ilusão, domando a caravela para tentar leva-la para porto-são, para águas de paraíso e calma, águas de navegação. O congelado coração do homem-metal, agora repleto de corrente eléctrica, continuamente percorrendo toda a pele e músculos do estático boneco.

A Força da Deusa Água impila a caravela em tantas direcções no mesmo instante que o comandante desta embarcação lutava agora todos os estigmas da sua vida, pois para velejar, navegar uma boca só serve para gritar de desespero, desesperando ainda mais o controlo do leme que se tornaria num descontrolo de navegação. Este comandante de elegância e força não deixa a sua essência se perder em desnecessários usos, como gritos de eco e perdição sem função. Ocos e intensos gritos de incapacidade… Este comandante não se pode deixar cair na confusa condição de cobardia. O leme roda rápido pelas suas mãos. Para a esquerda, para a direita, para a direita outra vez, com rapidez regressando o leme à sua posição de estacionária. De novo para a esquerda, de novo para a direita, neste encanamento longo, para o comandante mas curto em dimensão, a caravela raspa uma vez no cano, deste vez o Sr. Bartolomeu não conseguiu evitar o embate, e no seu pensamento surgiu “Terá o casco se quebrado?” Mas novamente a atenção era requerida para evitar novo embate e como que gritando, ardendo no seu interior de adrenalina voltou a navegação na tempestade…

Levando por fim a caravela até à sarjeta na direcção dos esgotos que sabia o iram levar para o desejado mar! Pelos canos e esgotos o caminho continuou não curto mas nada de longo e num momento de calma e bonança a caravela cortou a superfície da água salgada pela primeira vez. Com este comandante no lema, o comandante pesado e calibrada para ser o corajoso Capitão Ferro, conduzindo a caravela na direcção do seu sonho para as docas ele saiu não ficavam muito longe da praia que ele avistava da estante, mas passos de uma figurilha não são propriamente passos de gigante… Deslizando pelas águas a caravela lentamente se faz atravessar por entre as enormes réplicas da sua estrutura, uma condução perfeita e clássica, tão antiga que a caravela miniatura para regressar aos tempos da real caravela. No azul da água salgada a madeira de antigos carvalhos cria a sua passagem ondas de finas e com o passar do tempo, como que mexendo-se lentamente, para a linha do horizonte em direcção ao por do sol. E se o Sr. Bartolomeu tivesse uma boca de certo estaria a sorrir…

Algures agora no oceano de costas para a praia onde a figurilha deixou de ser tudo o que foi e velejou. Em direcção a tempestade que nem ele antevia a se formar nas longínquas nuvens, ainda pequenas e brancas, pacificas mas por pouco tempo. Em minutos a caravela Vera Cruz estava agora no meio dos ventos e aguaceiros cortantes e frescos da turbulência de agua. Com toda a sua força e e coragem o capitão Ferro endireitou a proa para o ceio da tempestade e combateu os trovões e relâmpagos pela simples emoção de enfrentar as forças misteriosas do Natureza.

Sem que se possa dizer quanto tempo passou o capitão a foi atingido por um branco e intenso relâmpago, pois no fim de contas o capitão e neste lugar um para-raios o único local preferido para um raio e corisco. Correndo electricidade pelo seu metálico corpo e desfazendo a caravela a medida que o raio descia para os pés do Sr. Bartolomeu. Abrindo um buraco no caso da caravela, empurrando a pesada figurilha para a água, é inútil nadar o ferro é o peso no coração, empurrando-a para as profundezas do oceano, descendo e descendo metro após metros, ate atingir o fundo do oceano e com toda a delicadeza assentar no fundo areoso onde aqui será um suporte de corais coloridos e dançantes…

No fundo repousa a figura…

História de Manuel Vela


  1. Postulando um toque de carinho e compaixão para com uma bela menina que conheci estes tempos, mostro cá este reconto da minha imaginação para alegrar a mulher que vive para me ter um dia dado refugio e eu agora lhe dou lembrança do todo que ela é!

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