“sola”

solum Tristesó
Estou cansado de ser sozinho, de ser algo sozinho
De ser o que acaba por ser sozinho
O ser que acaba por ser o não ser
Porque na solidão não é memória
Porque o sozinho é absoluto e oblívio
É esquecido, de feridas ou alegrias
O sozinho é apagado a cada encontro humano
O, o só, o sozinho é pequenino
E grande, é nada sendo tudo,
É o que foi, o que é e o que será no mesmo momento
É, é um ferimento que sangra continuamente
Sem qualquer estagnamento, com sangue eterno
É belo, para todos os olhos que nunca o vão ver
É feito para todas as vistas que nunca o avistaram
É solitário para os que o deixaram
É fugitivo para os que o abandonaram
É partida, é a chegada a parado
É poesia sem som, é génio sem dom
É crime sem arma, é crime sem vítima
É, e nada mais é

solum Estesser
Ah como as pessoas teriam medo se me ouvissem pensar
Como elas fugiriam ainda mais rápido de mim.
Ah como seria eu, visto como um vidente
Recusado pela fada, a madrinha dos dentes.
Eu, este ser tao tosco e tao ciente
Perdido na sua cabeça pelo ver dos dementes,
Pensamentos de sempre, de antigamente, pensar sem fim.
Ah o que seria de mim, sem tudo isto, sem esta cabeça
Este bicho-monstro com sete ou mais cabeças
Veriam eles que meu sou, e mudariam como são.
Eu diria que não é tarde agora para mudares,
Porque se havia tempo para amares
O barco naufragou na direcção de amares.
E eu sou quem te conhece e tu me desconheces
E neste momento nada me peças,
Porque eu nem sou pessoa e muito menos eça.
Sou uma tragédia, com comédia,
Uma obra, uma peça, um musical.
Sou uma pintura sem sal,
Sou do mar o seu sal,
Sou tempo e espaço,
Sou só um pedaço,
Um pouco que conhecias, um todo que pedias.
Para eu ser o que desejavas e para mim mal falavas,
Dentro de mim procuravas o que querias para ti
E deixavas ao lado que eu era.
Isto foi tudo noutra era…
Isto e eu já era!

solum Currun-thê
(Meu deus, já são quase 5 horas…)

E o tempo passa, corre por mim, preso e vadio,
Solto e em rebeldia, quem diria
Este foi o meu companheiro,
O meu camareiro e parceiro,
Amigo, e imagino uma ou outra vez
Quiçá um preciso incorrígivel.
Este tempo, esta era, esta hora
E eu aqui, na rua, à luz do candeiro agora.
O que estaria eu a fazer se nada mais que fora
deitar para fora a vivências deste tempo
esta década, e século que persigo
ou talvez do qual corro, eu já nem sei Amigo tempo.
Que a tão alta hora eu me faço acordado
e na escrita me vou, nas letras afogado
parado a ver prosas de linhas
e eu a cuidar do gado, pobres animais,
são ovelhas, não são nada mais que os demais….
(dos crimes dos seus pais)

solum Insonno
Eu quero sono… quero qe o abraço do sono
Venha ter comigo, que ele me puxe para o mundo,
O mundo de sonhos e pesadelos, o fundo
Da escuridão onde está minha calmaria
Em insónia vou nesta romaria ao dormir
Penitência de querer adormecer sem sono ter.
Estou a dormir acordado
Vendo sonetos e maravilhas de sonhos e imaginação.
Quero dormir maldição!
Meu corpo quer descanso não-eterno,
Minha cabeça anseia pela viagem da minha imaginação
O local de onde vem toda esta criação,
De onde veio o meu intrumento coração.
Maldição! Deixa-me deitar, seja só ou acompanhado
Mas quero estar deitado,
Podendo dormir
Nos lençóis de ir,
Nos lençóis de partir,
Na almofada da chegada,
Nos lençóis sem a espada.
A armadura pousada
Deixada a um canto
E eu no meu recanto,
Neste suave descanso.

 
Manuel Vela


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This is an excess of  imagination and a lake of reason and motivation to really make of that something of relative importance. So to try and act against  that we create this “chauvinism”, the strong idea that life is not only what we think is similar to yours. We dispose of the idea of similar and equal to our Carbon make up. Do not think you know how life works and is, simply because you lived and experienced? You only lived and experienced one type of it!! And that experience was in abundance alter and conducted in your-own person defects and previews of others. Your view is only one and in a whole world weights noting more than a feather compared to a planet. Live to know fallitur visio.