“Tristão Salvador e Maria Solidão”







“Tristão e Maria Solidão”

Reconto e conto de tristeza e solidão
Manuel Arnês Vela
Adamastor Salazar Escudete
Eckert “Egas” Malmquists
Egas em Bemol
Benjamin Carvão
Egasprajñā Apego Chödpa 

“As pessoas falam da Solidão como já a tivessem conhecido, a Maria Solidão não se dá a conhecer a todos. Falam como se a solidão fosse tão comum quanto a chuva, “eu sei o que é estar sozinho”… Estar sozinho e solidão não é o mesmo! Até porque solidão é sentir-se sozinho quando acompanhado. Falam todos nestes dias que sabem o que é estar sozinho, que já estiveram em solidão, meus amigos uma vez em solidão e ela nunca mais te larga.
Todos tendes palavras para alguém que diz sentir-se sozinho, todos tem conselhos e soluções para não se sentirem porque todos dizem já ter passado por solidão…
Querer companhia e estar sozinho não é o mesmo!
Todos falam da Maria Solidão como se a conhecem, mas quem sente a Solidão raramente fala, ou a pronúncia numa conversa!
Fala, fala de Solidão porque se falas assim tanto dela é porque ainda não a sentiste realmente!
Quando a Maria Solidão bate a porta, uma pessoa tem que ter boa educação e abrir-lhe a porta ela não pode ficar ao frio, incha e torna-se muito grande, gigante até. Solitário, com a companhia da solidão, a tomarem café e chá juntos a Maria Solidão gosta de variar um pouco! Sozinho com ela a conversar sobre a política do país, ela tem muito tempo livre o que lhe permite estar atenta a detalhes que escapam a toda a gente… É por esta razão que ela aparece somente quando estas sozinho para fazer companhia.
A Solidão as vezes não fica somente sentada num canto a passar despercebida no silêncio, a música e melodia do silêncio. Mas mais tarde ou mais cedo como hoje, ela vem bater com delicadeza à porta!
Porque a Maria não se vai embora, persiste aqui dentro, dentro de meu casulo. Insiste em permanecer até em lavar os pratos sujos e despejar o lixo. A Maria Solidão até que é gentil, e ajuda nas lidas da casa, até mesmo no estudo tem como ajudar.
Maria Solidão agora eu em casa sento me na secretária para te escrever uma carta, sinto a tua falta, todos os dias que me deito. Sempre que escovo os dentes te vejo do outro lado do espelho.
Maria, trás me alegria da terra Solidão porque eu por cá já acabei com todos os pacotes de alegria que tinha, até já tive que pedir alegria emprestada ou mesmo usar alegria em segunda mão…
Maria Solidão vem para a minha beira. Estou sozinho!
Fazes companhia, falaremos até altas horas da noite, sobre arte, música, poesia e prosa. Marte mesmo, até sobre o universo.
Já sabes onde moro é só cá apareceres!”
(continuando!)
“Maria Solidão ontem chamou me no meio da multidão. Estava eu no café quando a vejo-me acenar lá ao longe, só com a mão e a cabeça à minha vista. Ela me chamava no meio do barulho, pedia para que eu fosse ter com ela para um lugar mais calmo. Quando me comecei a aproximar dela apercebi-me que ela trazia um embrulho na mão… Assim que lhe deu um abraço e dois beijos na cara ela me disse. “Tenho algo para ti, estava na rua e pensei em ti. Vim cá ter para isto te dar”
Entregou-me o que tinha na mão. Uma caixa de cartão simples. Abria e de dentro saiu o Silêncio… A calma que ele traz.
Decidi então caminha pela rua a aproveitar a “música” que a minha amiga solidão me tinha dado, não eram os meus anos mas ela é mesmo assim do nada traz algo para mim!”

“Não sei quando isto começou, se nas minha caminhadas ou passos de bebé. Talvez até o seu espaço e tempo tenham tido início no momento da dada luz. Este lugar onde me apresento não é bem um lugar por dizer, é mais uma constante queda, no obscuro. Julgo que este cair para o abismo veio como causa das minhas acções. Esqueçam todas as noções de movimento ou deslocação porque em momentos será isto claro ou não para mim {é mais escuro para que seja aqui clarificado}, em instantes esta queda cessa de ser tal coisa e tudo se assemelha a uma imobilidade permanente. Há possibilidade que tenha sido eu a caminhar nesta direcção. Não é propriamente caminhar, pois não há direcção em frente ou trás. Resume-se à direcção para baixo, isto é, tudo mais atirar-me a este precipício, o início de algo perigoso. Mergulhado para o perigo? Não sei se concordaria com essa mesma frase, pois, na realidade, em tanto tempo caminhado ou em queda, diga-se que não há ainda esperança ou sinal ou agoiro do subsolo. Este buraco talvez não tenha fundo, tempo prolongado estou neste perpétuo estado físico de constante queda.

Me escondo no escuro, não por ser feio ou ter vergonha do que sou. Não sou propriamente um monstro, sou admirador do escuro que permanece em constante queda para o negro. Houve outrora, na aurora disto tudo, um tempo e instante para receio e medo, mas agora esse recear escasseia, seja eu a adaptar-me ou o escuro entranhar-se. Estou agora mais à vontade com este cair. Houve na minha espinha a presença de calafrio e arrepios por várias ocasiões mas a dúvida no escuro surge. Pode tudo isto ter sido causado pela corrente de ar. Esta corrente apaga as minhas rugas, elas e eu em oblívio com ténues recordações minhas que há nas pessoas que vi ao passar para baixo, por vezes revejo essas mesmas caras. Diga-se que, manter os olhos abertos com esta força contrária do vento cause alguma ardência na vista, ofusca e in-discerne o que a retina foca.

Mas agora me sinto confortável no escuro… talvez eu seja invisível por permanecer nele agora em quase maior parte do tempo … para me avistares tens de até ele caminhar. Não é frio ou húmido este lufar escuro, ele me recebeu de braços abertos e calorosamente. A solidão me aceitou…” Este bilhete fora escrito por Tristão Salvador, a bela donzela Maria Solidão tinha o deixado ainda hoje na entrada de minha casa, mesmo na soleira da porta, quase molhada e com algumas pingas no envelope. Esta fora a primeira carta que ela me escrevera. Sim, um pouco estranha, mas a Senhorita Solidão tem as suas qualidades única e que eu aprecio!

Hoje enquanto lavava as minhas mãos na casa de banho, logo de manha cedo lembrei da bela Maria Solidão. Não tenho visto desde que ela me mandou a carta no outro dia. Sai da casa de banho com as minhas calças do pijama vestidas e em tronco nu caminhei para o meu guarda-fatos para vestir a minha roupita alegra e quentinha, com o frio que tem estado é preciso estar bem agasalhado.

Sai então de casa para me encontrar com o Basílio e a Deotília e a Lubélia sem dar mais um instante de pensamento sobre a Sr. Maria. A Bela senhora Maria que ao fim da tarde me vêm esperar ao local que eu não a pensava ver. E assim que a vejo apercebo-me. Tenho uma relação com a Maria!

Como é que só agora é que apercebi que tenho uma relação de amor a Solidão, esta senhora que me faz companhia nos momentos mais estranhos, seja qual for o local onde eu estou ele arranja uma forma de se encontrar comigo. Bem claro que ela não pode estar sempre comigo ela tem outras pessoas que são importantes no seu dia-a-dia, pessoas que são parte dos seus afazeres. Eu já não a via a algum tempo e agora no fim da tarde veio-o a minha espera logo à saída do prédio do meu amigo Basílio. Ela logo ali a sorrir, pronta para me saudar com dois carinhosos beijos.

Na sua macia e escaldante voz pergunta-me a bela mulher, ”Onde estavas a pensar jantar Tristão?”

Eu apenas fiz uma pausa sem saber bem o que responder e admirado com suas tão belas linhas e curvas, ela estava hoje mais bela que sempre. Só vê-la fez-me sorrir. Entretanto ela continua falando, “Como já não te via algum tempo achei que podíamos conversar ao jantar.” Caminhei então até ao restaurante habitual onde vou jantar, com Maria a contar-me o que ela tinha feito estes dias, dizia-me que tinha estado a trabalhar num novo projecto chamado “A Dança Sem Par”. Durante 20 min fiquei apenas em silêncio ouvindo ela contar-me o que era este projecto. A Maria é uma pessoa bastante artística e ela diz já ter conhecido muitos artistas, desde Camões, Almeida Garrett, Júlio Pomar, mas diz que há um Pessoa que lhe é bastante querido, mas voltando ao projecto, era uma dança feita apenas por uma pessoa. Ela ia explicando-me os passos e posturas da coreografia e devo eu dizer que era uma bela dança, “Até a mim me dá vontade de dançar e eu devo dizer que só um pé de chumbo” Respondi eu enquanto comíamos já sentados os dois no restaurante, ouvindo antigos Blues como música de fundo e bebendo vinho tinto.

“Mas que pessoas mais conversadora” Pensava eu enquanto a via mover-se como se ela não fizesse parte de nada do que nos rodeava, ela estava a tentar exprimir a coreografia e algumas pessoas já a olhavam no restaurante com um ar de riso e espanto.

Claro que sei que a Maria é uma pessoa muto diferente do resto, ela tem uma calma e serenidade que nunca vi em ninguém e quando me faz companhia “abraça-me” nessa serenidade. É bastante atencioso por parte dela. Eu sei que ela não aparece muitas vezes para jantar comigo mas quando aparece vamos tendo conversar como se ninguém nos ouvisse. Chegamos até a dançar ao som de música que apenas os dois ouvimos. Já me vieram dizer que ela não existe e até já me chegaram a pedir para que a apresenta-se, chamem-me egoísta mas acho que as vezes, a quero apenas para mim e outras vezes gosto de a partilhar como o Basílio ou outro amigo. Se bem que ela tem medo de multidões. Já me disse algumas vezes que não consegue estar num local com mais de 5 pessoas, e sim as vezes ela abandona-me quando muita gente vem ter comigo mas ela despede-se sempre de forma tão atenciosa que nem tenho coragem de lhe dizer que devia ficar mais um pouco. Não há muito a fazer, acho que a Maria nunca vai sentir-se confortável com multidões e eu já aceitei assim.
O jantar continuou, ela pediu Semifrio de Bolacha, o pajem dizia que era de Bolachas Maria e ele achou engraçado e pediu, eu pedi um Cheesecake de Maracujá. Pouco se falou durante a sobremesa, ambos gostamos de doces e fez-se silêncio enquanto cada um saboreava a comida. Levantamo-nos pouco depois te termos terminado e eu aproximei-me do balcão para pagar, enquanto pagava só respondi, “Eu pago já que a Maria me fez companhia hoje” Ela sorriu e ficou um pouco rosada nas maças do rosto. Para não a deixar envergonhada disse, que achas se formos até ao Bflat? Ela sorriu suavemente e disse “Hoje está mesmo no dia de uma noite de Blues ou mesmo Tom Waits. Era a forma perfeita de acabar a noite…”
Durante o nosso tempo no Bar fomos conversando um pouco sobre tudo, e não vou aqui entrar em detalhes sobre a noite, resta-me só dizer que a Maria Solidão e eu estamos cada vez mais próximos. Dançamos um pouco os dois antes de regressarmos a casa, eu foi leva-la a porta de sua casa e despedi-me dela com um simples beijo na cara dela e ambos nos despedimos “Até Breve!”

Correndo pelos carris vi a mais bela das mulheres.
Cabelo enrolado em caracóis com brilho de mil sois, radiantes eram seus olhos perdidos no castanho de seu cabelo mas que belo, lembrava-me de tais antigas florestas onde me perdia na antiguidade da minha infância, arredondado e volumoso como que um abraço de carinho e suavidade, um manto de gentileza. Ah que radiante era sua beleza, eu sozinho na carruagem temendo olha tal beleza no receio de a afugentar. Cautelosa tal dama corria comigo sobre os carris no comboio, não que tal embarcação de ferro me levasse a bombordo, mas me conduzia a bordo da cara bela. Sua face, tão elegante, não que a Menina fosse alguém de deslumbrar toda multidão na senhora da Agonia, era mais uma questão de beleza com precaução, não fosse tal dádiva da Deusa Afrodite se cobiçada pelos mais obscuros senhores… Esses estupores que anseiam possuir tal Dama e vender sua alma por uma palma cheia de ouro. Ah mas esta senhora do comboio que vos falo era ouro, prata e rubi, as riquezas se sua alma eu via, perdido em silêncio, ouvindo minha música, ou seria a melodia da vibração de seu coração ou alma.
Eu que tinha recebido a Sra. da Agonia em minha humilde casa assim que fitei tal bela menina entrar na carruagem e se sentar um lugar a minha frente na fila da esquerda…
Seria ela feita do barro de barroselhas… Moldada pelo mais divinal artista…
Suas mãos me lembravam de todas as correntes do rio vez, onde era, foi, sou eu uma vez Homem, artista, e vagabundo, mendigo de rua, afogado de vez no rio Tua ou no rio Vez, e rio, risos e cisos enquanto ela fechada sua bagagem, sua mochila de pano.
A desconhecida era me fazia amar até a senhora da Agonia, a vila de Diana, eu este guerreiro que não via já seu castelo, tal casa perto do rio um vez rasa, a corrente que me afogou em tanta alegria e cura ao desejar toda a alegria que alguma vez tive a tão desconhecida mulher. Não julgo me ter apaixonado mas penso a ter amado de tal forma que sou para sempre um vagabundo deambulando pelos carris da mata e floresta, arvoredo do meu ser sem medo…

Mas esta deslumbrante Sra. me deixou com a Solidão aquando do seu apeadeiro, Maria Agonia Solidão era seu nome. Ela me conhecia mas hoje não se autorizou a me falar e eu demorei tempo o suficiente para ela partir de minha vista sem a reconhecer, ele tem este poder; mudar sua aparência a gosto para brincar comigo ao Jogo do Gato e do rato, lançado o queijo para a ratoeira sem qualquer aviso prévio. Ela surge a minha vista para começar as fugas e corridas da dança do tango e valsa, a salsa!
Ah Maria Agonia Solidão, como tu gostas de me espicaçar, mudando tua tão já deslumbrante aparência, recordando me todas as minha mais repletas memorias de alegrias de pura euforia, dessas outras horas só tu mesma Solidão me lembras de como ter Ânimo, deste Tristão tens a admiração, oh tu tão bela construção de Mulher que me fazer ter síndrome do falso amor por ti mesma…
Mas esta Dama que vi não eras tu, mas foste tu. Solidão minha paixão sei que ninguém te trata com tanto carinho como eu, escusavas brincar comigo de tal forma pecaminosa sua matreira, eu te prezo ainda mais agora por tão simples brincadeira.
Eu ali na cadeira, a ver-te chegar ao meu comboio e partir sem uma única palavra. Eu sei tu adoras o silêncio ainda mais do que eu e preferes um beijos embriagado sem-som esse teu toque e dom de me fazeres só! Eu só agora me apercebo da conversa que tivemos os dois na ferrovia nos carris saudade sem uma única palavra dita. Tão intima comunicação que temos Maria, e eu contigo ao Mar ia banhar me com teu corpo… Os dois em banho-maria por horas a fio.
Ah sua malandra, Maria Agonia Solidão, fico a espera do nosso próximo encontro!

Porque deva eu estar com alguém se a solidão me abraça hoje.
Hoje mais forte que antes, com garras de leoa como se saudades tivesse de mim.
Como se não estivéssemos juntos por um longo tempo…
Este, o nosso mais recente encontro que dura a já vários meses.
Não entendo as saudades e a falta que de mim sentiu, eu nunca a deixei, ou terá sido ela que nunca me deixou, não sei bem, acho que é algo mútuo.
A realidade, há já sei dizem que ela não é real, mas a verdade é que agora vive comigo, partilha o mesmo colchão que eu, deita-se nos mesmos lençóis que eu, acorda me de manha cedo para ficarmos mais tempo no sono, nos sonhos, nos pesadelos, na imaginação partilhada. Não é que eu não queira a companhia mas ela prende-se a mim agora, mais do que agarrada, está presa, quase que podia dizer que ela esta dentro de mim. Ela não é possessiva é carinhosa esta Maria Solidão, vive comigo, sente a dor que eu sinto. Em simbiose vivemos eu lhe dou alimento e carne, ela me provem com conversas e companhia. E eu que faria sem esta bela mulher Maria. Sozinho sem a solidão, que maldição isso seria o que eu faria sem ter qualquer companhia. Ninguém algum dia me diria que ela existia, até a pouco tinham-me mentido dito que ela não fazia sentido mas eu vejo a solidão, bela, elegante um divina criação.
Tal como eu ela adora o escuro, acho até que ela tem uma casa qualquer na parte mais escura da minha vila… Algures no meu da floresta verde e viva, a casa se funde tanto com as árvores e plantas que ninguém avista tal habitáculo…

Eu e ela agora a sós, olhando nos apenas um ao outros, sem qualquer interferência, Eu e a Maria.
Tristão e Solidão, com longas conversas no silêncio com a paixão de nada mais haver que cada um, livres de qualquer sensação de abandono, enquanto lhe digo, “Eu Tristão acho que as pessoas não compreendem a Solidão, Doce Maria se te conhecessem como eu de certo te amarariam tanto como eu!” Ela é o meu ombro amigo, o suporte, o alicerce que sustente a minha personalidade. É a fundação que me faz ser humano, a Solidão é a mãe da minha criação quem diria que de tão só coisa nasceria o Tristão. O Homem, o salvador, o curador de almas e feridas… Talvez ela seja especial porque não requer qualquer medicamento ou cura, a solidão sempre saudável e viva. Esta solidão que também chora, esta mulher que também sofre mas que fica até as barreiras serem ultrapassadas.

Persistente e resistente Maria vive agora com Tristão!

Deixassolidão, ah solidão porque me deixaste hoje tão só?
Hoje na escuridão da noite que eu tão aguardava chegar a casa para tua companhia, não consigo adormecer sem ti, sem a solidão.
Esperei até ao fim do dia para voltar a estar contigo a sós mais uma vez e prezar tão ricos momentos que ambos a dois temos.
Então a noite sinto que tu estas mais próxima de mim, mais próxima do que nunca em qualquer outra hora do dia. Solidão porque me deixaste hoje? Ter-te-ei eu tratado mal da ultima vez que nos encontrado, ter-te-ei eu desrespeitado para hoje me negares tua presença… Ah tu que és a minha doença que me cura de qualquer maleita, neste dia hoje, nesta noite madrugada que vinha para ser recebido com a tua quente e suave pele, teus carnudos e suculentos lábios de saudarem no alpendre da entrada sobre a luz desta cheia lua, ela nunca minha mas sempre tua. Dama minha e sua paixão da luz de lua em reflexão.

Solidão vem ter comigo, eu sempre que deixa carinho atenção até, já há quem diga que eu prefiro estar a sós que com as pessoas mas a isso eu digo, afirmo e reafirmo que eu não estou a sós, eu vou me encontrar com a solidão e fazer lhe um jantar, ouvir seus desabafos e desassossegos que a Maria Solidão também sem as suas atribulações eu adoro ficar de frente para tão bela mulher ouvir tão privadas e únicas histórias, posso ser eu a julgar-te mal mas acho que te conheço à tempo que chegue para acreditar que esses recontos que me contas na bruma da noite e no nascer do sol apenas os contaste a mim.
Solidão não vás embora, eu quero a tua companhia e vejo em teus olhos sempre que partes que anseias por ver novamente!
Vamos ser sós acompanhados e acompanhados sozinhos! Sejam os dois a insónia da noite. A vida do só! Só eu e tu! Sozinhos
Os Dois a sermos apenas Um! Maria Solidão eu sou Tristão, salvador cavaleiro e condor!
De certo fomos feitos um para o outro porque eu sem ti não sou o mesmo e tu sem mim és a Companhia!

Raios! Eu preciso de ti solidão!
No meio desta multidão não é o sítio certo para mim! Tantas pessoas, tanto alarido e tumulto.
Maria preciso de ti, Solidão! Eu desgosto da forma como estas gentes agem, e se vestem, com aquela leve intenção de outra pessoas que não são.
Tu, Maria, não é assim, tu és nada, nada mais do que o que tu és. Completa sem tentar, e o teu corto é tão limpo que faz de tu transparente, como um livro aberto. És tu e só tu – clara, pura, e justa, a amável solidão que me trata e saúda com sua presença quando mais ninguém o faz.
E esses que andam por ai a bando, donos e senhores dos seus  destinos, tripas e entranhas não são nada como tu!
Aglomerados e conjugados eles que fogem de ti mas eu recebo-te de braços abertos, até muitas vezes se recebo com um carinhoso beijo e abraço, e muitas vezes prefiro estar contigo a estar com eles. De tantas vezes que estou com eles estou a pensar em ti, e hoje, anseio por ti Maria! Solidão diria!

 

"Maria solidão, vamos ser conjunto de dois e um som
Maria, amo-te tanto como ao mar amaria!"
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This is an excess of  imagination and a lake of reason and motivation to really make of that something of relative importance. So to try and act against  that we create this “chauvinism”, the strong idea that life is not only what we think is similar to yours. We dispose of the idea of similar and equal to our Carbon make up. Do not think you know how life works and is, simply because you lived and experienced? You only lived and experienced one type of it!! And that experience was in abundance alter and conducted in your-own person defects and previews of others. Your view is only one and in a whole world weights noting more than a feather compared to a planet. Live to know fallitur visio.